O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou nesta terça-feira (15) a origem dos vazamentos de informações relacionados a um relatório da Polícia Federal (PF) analisado pela Corte. Durante a sessão, o magistrado fez referência ao documento que reúne mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo Gilmar, um relatório da PF entregue ao relator em abril já apresentava informações sobre o vazamento que havia levado à divulgação de suspeitas pela imprensa em março. Ao comentar o episódio, o ministro direcionou a crítica ao então relator do caso, André Mendonça.
“Há um relatório da Polícia Federal submetido ao relator ainda em abril que detalha justamente o vazamento que gerou, ainda em março, essas suspeitas divulgadas pela imprensa”, disse na sessão que analisa o relatório da PF (Polícia Federal) que reuniu mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na sequência, Gilmar questionou a versão de que o relator não teria conhecimento sobre o conteúdo que poderia surgir a partir da investigação.
“Beira a desfaçatez sustentar que, ao ordenar a elaboração do relatório que originou o presente feito, o então relator não sabia exatamente que tipo de achados poderiam ser encontrados. (…) Quem é o vazador-geral da República? Interessante que nos nossos gabinetes não vaza nada“, complementou, se referindo ao ministro André Mendonça.
Mendonça respondeu que os episódios de vazamento são tratados formalmente e afirmou que há determinação para que sejam investigados.
“todos os vazamentos tem determinação de instalação de inquérito”.
Gilmar voltou a criticar a condução do caso e afirmou que as investigações precisam respeitar a atuação coletiva do tribunal, especialmente diante do período eleitoral.
“As investigações serão feitas. Não pode ocorrer nos termos de alguém que vem desprezando a colegialidade, ainda mais em período eleitoral. É evidente que se trata de um boneco eleitoral”, rebateu Gilmar.
