A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de manter o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz tem ampliado as tensões com o Irã e gerado impactos políticos e econômicos tanto no cenário internacional quanto dentro do próprio país. A medida ocorre paralelamente às tentativas de sustentar uma trégua no conflito, após o republicano anunciar a extensão do cessar-fogo com Teerã até que uma proposta definitiva para encerrar a guerra seja apresentada.
De acordo com o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, a estratégia adotada por Trump evidencia limitações políticas internas, restringindo alternativas mais agressivas. Segundo ele, opções como incursões militares diretas ou até a ocupação de ilhas iranianas estariam no radar, mas enfrentariam forte rejeição popular. Nesse contexto, o bloqueio surge como uma forma intermediária de pressão, ainda que envolva riscos significativos de escalada no conflito.
Brustolin também aponta que a condução da crise levanta questionamentos institucionais nos Estados Unidos. O presidente teria recorrido ao artigo 2º da Constituição para justificar a ação sem consultar o Congresso, alegando ameaça iminente. Para o especialista, a falta de consenso interno é evidente: apenas cerca de 27% dos americanos apoiam a guerra, e nem mesmo o gabinete presidencial demonstra unidade sobre a estratégia adotada, reforçando o aumento do custo político da decisão.
