Delegada vira alvo de processo após caso de gari morto em BH e pode perder o cargo

Nayara Vieira
2 min de leitura
Delegada casada com réu por morte de gari pode perder o cargo (Foto: Redes sociais)

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a delegada Ana Paula Lamego Balbino, que pode resultar em sua demissão. A servidora está afastada de suas funções desde agosto do ano passado, período que coincide com o crime cometido por seu marido, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter matado um gari durante uma briga de trânsito em Belo Horizonte.

A investigação da Corregedoria-Geral foca em transgressões disciplinares graves, com destaque para o uso da arma funcional da delegada no homicídio. Ana Paula já foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo e prevaricação, uma vez que a perícia confirmou que o armamento utilizado pelo marido pertencia a ela. Segundo as apurações, a delegada tinha pleno conhecimento de que o empresário utilizava sua arma particular.

Entre as infrações analisadas estão a negligência na guarda do armamento funcional e a permissão para que terceiros o utilizassem, além da omissão em comunicar irregularidades e o descumprimento de deveres profissionais básicos. O procedimento administrativo tramita sob sigilo para preservar a apuração dos fatos, garantindo à servidora os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa.

Desde o afastamento, a delegada tem mantido sua licença médica por meio de sucessivas prorrogações, o que gerou questionamentos sobre a continuidade de seus vencimentos. De acordo com o Portal da Transparência, mesmo sem exercer as atividades, ela seguiu recebendo um salário líquido aproximado de R$ 16 mil. A defesa de Ana Paula sustenta que as licenças são estritamente legais e foram devidamente concedidas por peritos oficiais.

A conclusão do PAD definirá o futuro da carreira de Ana Paula na instituição, podendo culminar na sanção máxima de perda do cargo público. Enquanto o processo administrativo avança, a Polícia Civil busca esclarecer todas as circunstâncias que permitiram que uma arma de uso oficial fosse desviada de sua finalidade para ser utilizada em um crime violento.

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