Enxurrada de lama deixa mortos e desaparecidos na fronteira entre Nepal e Tibete

Patricia Calderon
4 min de leitura
Enxurrada de lama deixa mortos e desaparecidos na fronteira entre Nepal e Tibete (Foto Reprodução)

Uma forte inundação repentina no rio Bhotekoshi desencadeou uma enorme corrente de lama na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O fenômeno provocou destruição em áreas povoadas e deixou um grande número de mortos e desaparecidos. Até as 14h desta quarta-feira (26/8), pelo horário de Brasília, o balanço apontava 157 mortos e mais de 800 pessoas desaparecidas.

A força da água e dos sedimentos atingiu comunidades do distrito nepalês de Rasuwa e também chegou ao posto de Gyirong, no Tibete. Diante da dimensão do desastre, o Exército do Nepal foi mobilizado para as operações de emergência, enquanto o governo chinês determinou ações de resgate na tentativa de localizar sobreviventes.

Entre as pessoas que ainda não haviam sido encontradas estão centenas de turistas, incluindo muitos estrangeiros. Segundo o Ministério da Cultura, Turismo e Aviação Civil do Nepal, 403 visitantes permaneciam desaparecidos horas depois da enxurrada, sendo 341 estrangeiros.

Em uma segunda atualização divulgada na rede social X, o Conselho de Turismo do Nepal informou um número diferente: 384 viajantes desaparecidos, dos quais 291 seriam estrangeiros. A identificação da nacionalidade de parte dessas pessoas ainda estava em andamento.

No lado tibetano, a agência estatal chinesa Xinhua informou que 265 pessoas estavam desaparecidas.

Ainda não existe uma explicação definitiva para a origem da enorme corrente de lama. A principal hipótese das autoridades nepalesas é que um terremoto registrado pouco antes do desastre tenha provocado o desprendimento de uma geleira, desencadeando o deslocamento de grande quantidade de água, gelo, pedras e sedimentos.

Imagens de satélite produzidas pela Planet Labs permitem comparar a paisagem antes e depois do episódio. Uma área que anteriormente apresentava vegetação verde e densa aparece coberta por lama, rochas, sedimentos e outros destroços.

“Está confirmado que uma parte substancial daquela extremidade da geleira desabou, desencadeando o evento — provavelmente incluindo ou arrastando uma quantidade considerável de rochas e sedimentos”, disse Vikram Gupta, especialista em geologia de engenharia e professor da Universidade de Sikkim, na Índia.

O Conselho de Turismo do Nepal informou que o levantamento dos desaparecidos foi elaborado a partir de informações fornecidas por empresas do setor de turismo e viagens. “A informação está sendo verificada e checada em coordenação com agências de viagens, guias, autoridades locais e agentes de segurança”, assinalou.

Segundo o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, a sequência de eventos teria começado com um terremoto, seguido por um deslizamento de terra e de uma geleira. O material teria bloqueado o curso do rio e contribuído para a inundação.

“Um terremoto ocorreu às 8h37 de hoje e, devido a ele, um grande deslizamento de terra aconteceu, bloqueando o rio, o que parece ter causado a inundação”, afirmou o chanceler na Câmara do país, citado pela imprensa local.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou terremoto de magnitude 4,4 às 8h37 (horário do Nepal), com profundidade de 10 km. O epicentro foi a 77 km a norte-noroeste da vila de Kodari, no Nepal.

Imagens registradas por câmeras de segurança mostram a chegada da enxurrada a uma das localidades atingidas. A massa de lama avança rapidamente e leva consigo construções, pontes, carros, ônibus e outros objetos.

Nas gravações, moradores aparecem tentando fugir da correnteza enquanto prédios são atingidos e veículos são arrastados. Algumas pessoas não conseguiram deixar as áreas afetadas a tempo.

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