A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no país foi marcada por um forte embate político na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27/5). A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) e o deputado André Fernandes (PL-CE) protagonizaram uma intensa troca de acusações no plenário durante a sessão de votação, refletindo a polarização em torno do tema.
O confronto direto teve início após Fernandes provocar a parlamentar do Psol, afirmando que ela teria sido “humilhada” no processo de negociação e estaria “pianinha” por não conseguir emplacar o modelo original de jornada 4×3. Erika Hilton rebateu as críticas da tribuna e ironizou o passado do deputado como influenciador digital, disparando que humilhante, na verdade, era “se tornar deputado ensinando depilação íntima na internet”.
Além das ofensas pessoais, a discussão também girou em torno de estratégias políticas e da percepção pública. Enquanto a deputada governista acusou abertamente os parlamentares da oposição de mudarem seus posicionamentos sobre o projeto apenas por receio da pressão popular, o bloco opositor tentou deslegitimar a articulação da proposta, expondo as concessões feitas para que o texto avançasse.
Apesar do clima hostil e da troca de farpas entre os congressistas, a PEC 221/19 acabou aprovada em dois turnos pelos deputados. O texto final estabelece a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial e extinguindo a escala 6×1. Após a vitória na Câmara, a matéria segue agora para análise no Senado Federal.
