Dark Horse: perícia não esclarece uso de R$ 75 milhões em filme de Bolsonaro

Nayara Vieira
3 min de leitura
Dark Horse (Foto Reprodução Redes Sociais)

A perícia privada apresentada pela produtora Go Up Entertainment para justificar os custos do filme “Dark Horse”, que vai homenagear o ex-presidente e narra a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), não detalha o destino de transferências que somam US$ 13,3 milhões, em torno de R$ 75 milhões. Desse total, o laudo indica de forma genérica que a maior parte, ou seja, os R$ 54,2 milhões, teria sido gasta nos Estados Unidos, sem explicar o que de fato ocorreu nas supostas etapas de produção no exterior. 

O documento foi anexado à defesa de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora e representante do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG suspeita de desviar dinheiro público de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para financiar a obra cinematográfica.

No Brasil, os gastos declarados somam R$ 20,9 milhões (US$ 3,7 milhões) e concentram-se exclusivamente na fase de “produção e filmagem”. 

De acordo com o relatório, essa quantia foi utilizada para despesas com cenografia, transporte, diárias, passagens aéreas e cachês de atores internacionais. Enquanto a movimentação em solo americano carece de transparência, a fatia brasileira dos recursos foi movimentada por meio de uma conta no Banco do Brasil, sendo que a maior parte do montante, cerca de R$ 18,4 milhões, acabou sendo transferida via Pix.

Apesar das suspeitas de triangulação com verba municipal, a análise realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI) defende a legalidade dos repasses. Segundo o órgão pericial, o fundo Havengate Development LP, utilizado para a captação de recursos no exterior, enviou os R$ 75 milhões até o dia 10 de junho de forma regular. Os técnicos que assinam o documento asseguram que os ingressos financeiros vinculados ao projeto possuem origem estritamente privada, tese que tentam comprovar anexando contratos de investimento, extratos bancários e registros de remessas internacionais.

Agora, o embate jurídico deve se concentrar na validação dessas provas contábeis diante das investigações sobre o contrato bilionário da ONG com o município paulista. Caberá às autoridades avaliar se os documentos apresentados pela Go Up Entertainment são suficientes para afastar os indícios de desvio ou se a falta de detalhamento sobre os gastos.

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