Produtora de Dark Horse declarou gasto de R$ 54,2 milhões nos EUA

Patricia Calderon
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Dark Horse (Foto Reprodução Redes Sociais)

Nesta sexta-feira (12), a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, informou em uma perícia judicial que investiu cerca de US$ 9,6 milhões nos Estados Unidos, valor equivalente a R$ 54,2 milhões, para a produção do longa sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A empresa também declarou despesas de R$ 20,9 milhões no Brasil, chegando a um custo total estimado de R$ 75 milhões para a obra cinematográfica.

O levantamento apresentado pela Go Up Entertainment aponta que o orçamento da produção ficou abaixo da previsão inicial aprovada, que era de US$ 16 milhões, aproximadamente R$ 89,7 milhões. Para comparação, o filme brasileiro O Agente Secreto, que disputou o Oscar, teve orçamento estimado em R$ 28 milhões.

O filme foi gravado no Brasil e conta com participação de profissionais estrangeiros, incluindo o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro. A produção também teve participação dos roteiristas norte-americanos Cyrus Nowraseth e Mark Nowrasteh, pai e filho, que desenvolveram o roteiro com o deputado federal Mario Frias (PL-SP), responsável pela produção executiva do longa.

Os valores informados pela Go Up Entertainment fazem parte de uma perícia anexada a um processo envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à mesma proprietária da produtora de Dark Horse. O instituto é investigado por suspeitas relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para financiar o filme.

A empresária Karina Ferreira da Gama administra a Go Up Entertainment e o Instituto Conhecer Brasil. A reportagem informou que tentou contato com a produtora, mas não recebeu resposta até a publicação.

Segundo o documento apresentado, os gastos declarados foram distribuídos entre diferentes etapas do projeto: desenvolvimento do filme nos Estados Unidos, no valor de US$ 383 mil; “soft-production”, com US$ 2,6 milhões; pré-produção nos Estados Unidos, também com US$ 2,6 milhões; produção e filmagem nos Estados Unidos, com US$ 1,9 milhão; produção e filmagem no Brasil, com US$ 3,7 milhões; e pós-produção nos Estados Unidos, com US$ 1,9 milhão.

A perícia aponta que, até 10 de junho, o Heavengate Development Fund LP, utilizado para captar recursos para a produção, transferiu US$ 13,3 milhões destinados ao filme. No Brasil, os valores relacionados à obra foram movimentados por meio de uma conta no Banco do Brasil, com R$ 18,4 milhões recebidos por transferências via Pix.

O relatório também afirma que os recursos utilizados na produção tinham origem privada, conforme documentos analisados pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).

“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto têm origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, afirma a perícia realizada pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).

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