A produção do filme biográfico “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de investigações após a revelação de que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria financiado cerca de R$ 61 milhões para a obra. De acordo com o Intercept Brasil, os repasses foram articulados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chegando a um valor total negociado de R$ 134 milhões, embora não existam provas de que o montante integral tenha sido transferido. Os pagamentos teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025, envolvendo transações para um fundo no Texas controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, segundo informações do portal Metrópoles.
Diálogos obtidos pela reportagem mostram que o financiamento ocorreu em um período conturbado para Vorcaro, com conversas registradas às vésperas de sua prisão na Operação Compliance Zero e da liquidação de sua instituição financeira. Em áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro, datados de setembro de 2025, o senador manifesta apreensão com atrasos nos repasses destinados à produção internacional. “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso”, teria declarado o parlamentar.
A preocupação central de Flávio, segundo as gravações, era o impacto diplomático e profissional de um eventual descumprimento financeiro com estrelas de Hollywood envolvidas no projeto. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, teria afirmado o senador ao empresário. Até o momento, o senador Flávio Bolsonaro e sua assessoria não responderam aos questionamentos sobre o caso.
ÁUDIO:
