CASO MARCELO: Polícia aponta relacionamento entre suspeito e comerciante desaparecido e pede prisão de três investigados por homicídio

Lucas Padula
7 min de leitura
A polícia segue em busca do corpo do empresário Marcelo Magalhães - Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça a prisão temporária de Lucas Soares de Lima, conhecido como “Quadrada”, Paulo Sérgio Soares de Almeida e Júlio César Moura Batista, investigados pelo desaparecimento e morte do comerciante Marcelo Magalhães de Almeida, ocorrido em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A Mathias TV teve acesso ao inquérito policial que investiga o caso. 

A representação, assinada pelo delegado responsável pelo caso, sustenta que as investigações reuniram “robustos elementos informativos” indicando que os três participaram do sequestro da vítima, de sua execução e da ocultação do corpo.

Marcelo desapareceu na noite de 16 de julho, depois de sair de casa dirigindo sua Land Rover. Imagens de câmeras de segurança registraram o comerciante chegando a um bar na Estrada da Fazendinha, onde permaneceu com um homem conhecido pelo apelido de “Fumaça”.

Pouco tempo depois, Marcelo deixou o local sozinho em seu veículo. Horas mais tarde, a Land Rover foi abandonada na Rua das Andorinhas por um homem ainda não identificado, que fugiu correndo após estacioná-la.

Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares e familiares chegaram a manusear o interior do veículo antes da realização da perícia, comprometendo a coleta de impressões digitais e outros vestígios.

Investigação mudou de rumo

Inicialmente, o preso Júlio César Moura Batista afirmou que Marcelo teria sido julgado e morto durante um suposto “tribunal do crime” promovido por integrantes do PCC.

Entretanto, conforme a Polícia Civil aprofundou as diligências, essa versão foi considerada inconsistente. O inquérito afirma que o depoimento teria sido elaborado para desviar o foco dos verdadeiros autores do crime.

Depoimento da mãe dos suspeitos

Um dos depoimentos considerados mais importantes é o de Zemira Santos Soares, mãe de Lucas e Paulo Sérgio.

Ela contou aos investigadores que Paulo chegou à sua casa chorando e afirmou que Lucas havia criado um “problemão” que acabaria envolvendo toda a família.

Pouco depois, Lucas apareceu acompanhado da então companheira, Júlia Rebeca. Segundo Zemira, os dois conversavam de maneira nervosa, utilizando expressões como “já viu, já fez”. Ao ser questionado, Lucas teria reagido de forma agressiva, ameaçando os familiares.

Ainda conforme o depoimento, o investigado afirmou que, caso tivesse conseguido emprestados R$ 700 dias antes, “não teria que gastar com caixão e nada disso teria acontecido”.

Após acompanhar pela televisão o desaparecimento do comerciante, Zemira procurou espontaneamente a Polícia Civil e entregou mensagens recebidas por WhatsApp nas quais era informado que Lucas, Paulo Sérgio e Júlio César teriam roubado, sequestrado e matado uma pessoa. As conversas foram extraídas com preservação técnica para utilização na investigação.

Ex-companheira revela suposta confissão

Outro depoimento considerado decisivo é o da ex-companheira de Lucas Soares.

Ela afirmou que, no dia do desaparecimento, Lucas pediu que ela deixasse a residência porque precisaria utilizar o imóvel. Horas depois, recebeu uma transferência de aproximadamente R$ 3.800, que, segundo Lucas, deveria ser sacada posteriormente. A mulher contou que o investigado inicialmente disse ter roubado uma motocicleta. Mais tarde, entretanto, admitiu que havia sequestrado Marcelo.

Ainda segundo o depoimento, Lucas revelou que mantinha um relacionamento reservado com o comerciante, que costumava lhe dar presentes e teria prometido até um apartamento. Para a testemunha, o homicídio pode ter ocorrido porque Lucas temia ser denunciado após obter dinheiro da vítima.

Transferências bancárias reforçam investigação

Durante as apurações, a Polícia Civil identificou uma transferência de aproximadamente R$ 3.500 realizada a partir de uma conta vinculada à vítima para uma conta ligada à família da ex-companheira de Lucas.

Além disso, foram localizadas conversas entre Marcelo e Lucas que, segundo os investigadores, demonstram a existência de um relacionamento reservado entre os dois e a preocupação do suspeito em ocultar essas mensagens.

Vestígios e buscas

Embora o corpo de Marcelo ainda não tenha sido localizado, a Polícia Civil afirma que reuniu diversos elementos que apontam para a ocorrência do homicídio.

Entre eles estão:

Imagens de câmeras de segurança que registraram o trajeto do veículo, indicação do cão farejador em locais por onde a vítima teria passado, manchas com aparência de sangue encontradas durante as buscas, movimentações financeiras atribuídas ao grupo investigado e depoimentos convergentes das testemunhas.

A autoridade policial ressalta que a legislação e a jurisprudência permitem a responsabilização por homicídio mesmo sem a localização do corpo, desde que existam provas suficientes da materialidade indireta do crime.

Fuga reforçou pedido de prisão

Outro ponto destacado pela investigação é que Lucas Soares teria fugido em duas oportunidades ao perceber a aproximação da polícia.

Segundo o inquérito, ele escapou por uma área de mata e pelos telhados de residências, mesmo com o apoio da Guarda Municipal, Polícia Militar e do helicóptero Águia.

Para a Polícia Civil, a fuga demonstra risco concreto de evasão, além da possibilidade de intimidação de testemunhas e destruição de provas.

Polícia pede prisão temporária

Diante do conjunto de provas reunidas, a Polícia Civil representou pela prisão temporária de Lucas Soares de Lima, Paulo Sérgio Soares de Almeida e Júlio César Moura Batista pelo prazo de 30 dias.

Os investigados são apontados como suspeitos de participação em homicídio qualificado, ocultação de cadáver e outros crimes que ainda seguem sendo apurados no decorrer do inquérito.

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