Brasileiro relembra atropelamento por van de Michael Jackson 32 anos depois

Douglas Lima
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Márcio Alberto de Paula e Michael Jackson - Foto: Divulgação/Reprodução/Instagram

O brasileiro Márcio Alberto de Paula viveu um momento marcante ao realizar o sonho de muitos fãs ao ficar frente a frente com o cantor Michael Jackson (1958-2009).

Aos 15 anos, Márcio Alberto de Paula foi atropelado por uma van da comitiva do músico durante uma visita a São Paulo. O episódio marcou profundamente sua vida e, mais de três décadas depois, ele ainda relembra as repercussões do caso na imprensa.

Tudo começou em 13 de outubro de 1993, quando o artista desembarcou no Brasil para a turnê do álbum Dangerous. As apresentações estavam marcadas para os dias 15 e 17 de outubro no Estádio do Morumbi, na capital paulista.

Michael havia planejado visitar pacientes da ala infantil do Hospital Infantil Darcy Vargas e levar presentes para as crianças. Por esse motivo, decidiu antecipar uma ida à fábrica de brinquedos Estrela, localizada em Guarulhos.

Márcio Alberto morava nas proximidades e foi incentivado por amigos a ir até a fábrica na tentativa de ver o rei do pop, mesmo que à distância. Em entrevista ao portal Hollywood Forever, ele descreveu o dia como “terrível”.

“Tanto eu quanto a minha família estávamos em luto, porque no dia 12 de outubro a minha avó materna havia falecido. Então no dia 13 eu fiquei o tempo todo em casa e no dia 14, que foi o dia que meus amigos foram até a minha casa para me dar um abraço, aconteceu esse acidente”,  lembrou.

Ao chegar às proximidades da fábrica, o jovem e sua irmã mais nova, Renata, encontraram uma grande multidão formada por fãs, policiais e profissionais da imprensa. Na tentativa de se manter afastado da aglomeração, ele se apoiou em uma viatura posicionada mais ao longe e dali acompanhou o movimento no local.

Quando a comitiva do cantor percebeu que a fábrica estava lotada tanto internamente quanto nas áreas externas, decidiu desistir da visita. Em seguida, os veículos começaram a fazer o retorno, iniciando a manobra de saída do local.

“Quando os portões da fábrica se abriram, aquela multidão ficou alvoroçada e os carros começaram a perder o controle, e foram desviando das pessoas, porque as pessoas se jogavam em frente aos carros. E nisso, os veículos dele foram batendo na viatura que eu estava encostado. Então, na verdade, eu fui prensado pelo carro da comitiva dele”, relatou.

Além de Márcio, outras pessoas também ficaram feridas durante a confusão, incluindo sua irmã, que sofreu queimaduras. Ele, por sua vez, teve o quadro mais grave. Os ferimentos se concentraram principalmente da cintura para baixo, com destaque para uma fratura exposta no fêmur, o que exigiu atendimento médico imediato e cirurgia de urgência.

Após o acidente, enquanto ainda estava internado, Márcio Alberto de Paula contou que ficou bastante nervoso quando funcionários do hospital chamaram seus pais para uma conversa reservada. Eles retornaram cerca de 40 minutos depois, visivelmente abalados.

Algum tempo depois, o nervosismo deu lugar ao choque quando a porta do quarto se abriu e o músico entrou acompanhado de uma equipe de reportagem. Márcio Alberto relembra que o ambiente ficou agitado no momento da visita de Michael Jackson.

Após a sessão de fotos, o artista pediu que a equipe de imprensa se retirasse do quarto. Permaneceram no local apenas ele, Márcio Alberto, os pais do adolescente, uma tradutora e três meninos que acompanhavam o cantor.

Mesmo diante da situação, Márcio afirmou que a experiência o marcou profundamente, especialmente ao ouvir a voz do músico pessoalmente. “Conforme ele começava a falar, eu pensava, ‘meu Deus, eu não estou acreditando nisso’. Parecia que eu estava ouvindo um álbum dele. Eu não acreditava que era real’, relembrou.

No quarto, Michael Jackson retirou os óculos escuros — um de seus elementos mais característicos — e passou a agir de forma mais descontraída. Ele brincou, caminhou pelo ambiente e chegou a ensaiar alguns passos de dança na tentativa de aliviar a tensão do momento, já que, segundo o jovem, ele e sua família estavam visivelmente “petrificados”.

Márcio Alberto de Paula recebeu alta após cinco dias de internação e, em seguida, precisou permanecer cerca de três meses em repouso domiciliar para concluir a recuperação. Com o apoio da família, ele conseguiu se restabelecer sem apresentar sequelas físicas.

Apesar da melhora clínica, o período posterior foi difícil, marcado por episódios de estresse, exposição na mídia, assédio e relatos de difamação.

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