Após resgate de 163 crianças nos EUA, famílias brasileiras pedem investigação

Douglas Lima
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Autoridades da Flórida afirmam que uma operação recuperou 163 crianças desaparecidas - Foto: Divulgação

Autoridades dos Estados Unidos anunciaram, no fim de agosto, o resgate de 163 crianças desaparecidas durante uma operação de cinco dias voltada ao combate à exploração, ao abuso e ao tráfico infantil. As vítimas tinham entre dois meses e 17 anos e foram localizadas na Flórida e em outros estados americanos.

A operação internacional Statewide Shield (Escudo Estadual, em tradução livre), liderada pelo país americano e realizada entre os dias 17 e 21 de agosto, foi coordenada pelo Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE). A ação contou com o uso de informações de inteligência em tempo real, equipes especializadas e operações de campo para localizar as crianças e adolescentes desaparecidos.

Após serem encontradas, as crianças foram encaminhadas para serviços de proteção e atendimento especializado, segundo as autoridades responsáveis pela operação. Além dos resgates, a operação resultou na prisão de suspeitos envolvidos em crimes relacionados às investigações.

Após a repercussão da operação internacional, surgiu uma nova possibilidade para as famílias dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael, desaparecidos em Bacabal, no Maranhão, e do bebê José Arthur, desaparecido em Eldorado dos Carajás, no Pará.

Os advogados que acompanham os dois casos, ainda sem solução, entraram em contato com as autoridades americanas para verificar se as crianças brasileiras estão entre os 163 menores resgatados nos EUA de 12 países diferentes.

A intenção é verificar, junto às autoridades responsáveis, se os dados dos menores resgatados podem ajudar a esclarecer o paradeiro dos irmãos e do bebê. Para isso, os profissionais solicitaram o cruzamento de informações, como características físicas, registros oficiais, reconhecimento facial, impressões digitais e eventuais documentos migratórios.

A advogada Nathaly Moraes, que acompanha o caso do desaparecimento de Ágatha e Allan, acionou o Consulado-Geral do Brasil em Miami em busca de informações que possam ajudar a localizar os irmãos. Já o advogado Elisson Araújo, responsável pelo caso de José Arthur, solicitou à Polícia Federal uma verificação junto às autoridades americanas.

A PF acionou um policial federal adido nos Estados Unidos para apurar se o bebê está entre os menores identificados no país. Apesar das solicitações, não há, até o momento, indícios de que Ágatha, Allan ou José Arthur tenham deixado o Brasil.

Nos pedidos, as defesas levantaram a possibilidade de que alguma das crianças resgatadas seja estrangeira, esteja sem documentação ou tenha tido a identidade alterada. Também foi considerada a hipótese de deslocamento ilegal, o que justificaria o cruzamento de informações para verificar uma possível relação com os casos brasileiros.

Informações que possam ajudar a localizar Ágatha, Allan e José Arthur podem ser repassadas de forma anônima ao Disque-Denúncia, pelo telefone 181.

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