Além de joias, amiga de Lulinha pagou cartão e carro de ex-assessor de Lula

Patricia Calderon
4 min de leitura
Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger (Foto:Reprodução / Redes sociais)

Documentos reunidos pela Polícia Federal apontam que a lobista Roberta Luchsinger teria arcado com R$ 217.098 em despesas relacionadas a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava o cargo de chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os gastos identificados estão faturas de cartão de crédito, parcelas de um financiamento de veículo, seguro e joias avaliadas em R$ 9,2 mil.

Segundo a investigação, os pagamentos foram realizados entre fevereiro e novembro de 2024. A PF teria encontrado, em conversas entre Roberta e Marcola, mensagens contendo códigos de barras que estariam relacionados às despesas pagas pela lobista.

A Polícia Federal aponta Roberta como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e de Fernando Bittar. Os três participavam de um grupo no WhatsApp chamado “Musaranhos”, no qual tratavam de projetos relacionados ao governo federal.

Uma das negociações investigadas envolveria a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O empresário atua no segmento de produtos medicinais à base de cannabis e, segundo a suspeita levantada pela PF, o grupo buscaria facilitar contratos com o Ministério da Saúde.

Para aproximar o grupo da pasta, Marcola teria sido acionado para viabilizar um encontro com Swedenberger Barbosa, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde. Segundo as mensagens obtidas pela PF, Lulinha também teria participado da articulação para que a reunião fosse realizada.

Em 6 de março de 2024, Roberta enviou uma mensagem ao filho do presidente: “Pousei. Vou lá no Berge”. Lulinha respondeu: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda beijo para o Berge e fala que não fui porque você não chamou”.

Depois da reunião, Marcola teria recebido uma minuta de contrato para fornecimento de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde sem a necessidade de licitação. Até o momento, ele não consta como investigado no inquérito.

As conversas analisadas pelos investigadores também indicariam que os integrantes do grupo esperavam obter valores elevados com os negócios discutidos. Em uma das mensagens, Roberta afirmou que sua expectativa era receber R$ 100 milhões somente em 2024.

Após a prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes e a inclusão de Roberta nos inquéritos, Lulinha passou a viver em Madri, na Espanha, com a família. A PF, porém, afirma que a mudança já estava planejada anteriormente. Em janeiro de 2025, Roberta teria comentado que precisava resolver pendências relacionadas aos negócios antes da saída de Lulinha do Brasil.

“As coisas irão acontecer porque eu tenho que tirar o Fábio e família do país até junho”, afirmou.

A defesa de Marcola nega que o ex-assessor tenha tomado qualquer medida para favorecer Roberta. Os advogados também sustentam que não houve irregularidade e afirmam que os pagamentos mencionados na investigação seriam referentes a um empréstimo pessoal.

“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, afirmou a defesa do ex-assessor em nota.

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, também rejeita a existência de vínculos entre seu cliente e negócios envolvendo o governo. A defesa ainda questiona a divulgação seletiva de informações da investigação.

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