Dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro revelaram que o banqueiro pesquisou no Google o nome do juiz responsável por seu caso um dia antes de ser preso no aeroporto de Guarulhos, em 2025. A descoberta, compartilhada pela Polícia Federal com a CPI do INSS, reforça a suspeita de que houve vazamento de informações sigilosas sobre a operação, já que Vorcaro foi detido quando tentava embarcar em um jatinho particular sob suspeita de fuga. informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
O dono do Banco Master foi detido por volta das 22h do dia 17 de novembro, quando tentava embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai e escala em Malta. A Polícia Federal efetuou a prisão sob a suspeita de que o executivo planejava fugir do país para evitar o cumprimento da ordem judicial. A decisão que fundamentou a ação foi assinada pelo juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, às 15h29 daquele mesmo dia, após uma representação do Ministério Público Federal pela prisão preventiva do banqueiro.
As evidências colhidas no aparelho indicam um esforço ativo de Vorcaro para sondar autoridades e magistrados. No mesmo dia em que pesquisou o nome do juiz na internet, ele registrou uma nota em seu bloco de notas questionando a proximidade de terceiros com o magistrado: “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, essa anotação teria sido enviada a um destinatário não identificado por meio de uma mensagem de visualização única, sugerindo uma tentativa de obter influência ou informações privilegiadas dentro da vara criminal.
Além das buscas sobre o juiz de primeira instância, os registros mostram que o banqueiro também tentou contato direto com instâncias superiores. No dia seguinte à pesquisa inicial, ele teria enviado uma mensagem ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, perguntando: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Para os investigadores, esse conjunto de mensagens e buscas evidencia que o executivo já estava em alerta sobre os movimentos do inquérito sigiloso, monitorando tanto os juízes titulares e substitutos da 10ª Vara de Brasília quanto possíveis desdobramentos nos tribunais superiores.
