Moraes e Mendonça batem boca em sessão do STF sobre crise Master na Corte

Patricia Calderon
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Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma discussão nesta terça-feira (15), durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa os desdobramentos do caso Master e a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro. O confronto ocorreu enquanto os ministros discutiam a atuação da Polícia Federal nas apurações envolvendo o ex-banqueiro e o magistrado.

Moraes defendeu que a Corte avaliasse simultaneamente as acusações relacionadas à sua própria conduta e os questionamentos sobre a atuação de Mendonça no relatório produzido pela Polícia Federal. O ministro afirmou que havia falta de isenção na condução do caso e pediu que os dois assuntos fossem analisados em conjunto.

Ao defender a análise conjunta dos casos, Moraes questionou Mendonça sobre a atuação da Polícia Federal.

“Não há como julgar hoje [a situação de Moraes] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?”, perguntou Moraes.

“Não é questão de medo não”, respondeu Mendonça.

“Eu não estou perguntando a vossa excelência”, afirmou Moraes.

“Mas eu estou lhe respondendo”, disse Mendonça.

Na sequência, Moraes acusou Mendonça de ter solicitado à Polícia Federal que incluísse o nome dele em uma colaboração premiada. O ministro também afirmou que pretendia apresentar testemunhas para sustentar sua versão.

“Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada. E vamos trazer aqui, presidente [Fachin], e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam isso'”, declarou Moraes.

“Isso é mentira”, rebateu Mendonça.

“Então vamos chamar as testemunhas. Vamos chamar?”, indagou Moraes.

“Mentira, mentira”, declarou Mendonça. “Podem chamar quem quiser, vão mentir”, declarou Mendonça.

Moraes voltou a defender que os dois casos fossem analisados simultaneamente. Segundo ele, Mendonça teria recorrido à Polícia Federal para pedir a inclusão de seu nome nas investigações por motivos políticos.

“Não há como julgar hoje sem julgar terça-feira [em referência a Mendonça]”, repetiu Moraes. “[Mendonça] chamou [a PF]: ‘Inclua o ministro Alexandre’. Por que? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país. É isso, senhor presidente. É isso”, frisou Moraes.

“Ah, senhor presidente, eu não vou responder…”, disse Mendonça.

Na sequência, Moraes afirmou que os documentos de inteligência da Polícia Federal utilizados para questionar a conduta de Mendonça possuem autoria identificada e foram elaborados por delegados da corporação. Por isso, segundo ele, não poderiam ser classificados como “apócrifos”.

O ministro também contestou a investigação da Polícia Federal que serviu de base para o pedido de apuração sobre sua própria conduta, classificando o procedimento como “fraudulenta”. Ao final da discussão, Moraes manteve a defesa de que os dois episódios fossem examinados conjuntamente pelo Supremo.

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