“Vorcaro derrubou meu perfil”, revela influencer que expôs festa secreta

Douglas Lima
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Ana Ribeiro, criadora do perfil Ana Track ID - Foto: Reprodução/Instagram

A influencer Ana Ribeiro, criadora do perfil Ana Track ID, viralizou nas redes sociais ao revelar que descobriu ter tido a conta derrubada no Instagram a pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação veio à tona após a retirada do sigilo de documentos relacionados à investigação do caso.

“O Vorcaro derrubou o meu perfil em 2023 e eu só estou sabendo de tudo isso agora”, afirmou ela no vídeo publicado nesta sexta-feira (11). Como criadora de conteúdo sobre música eletrônica, ela reunia notícias, datas de eventos, escalações de DJs e venda de ingressos. O perfil já tinha cerca de 13 mil seguidores e alcançava mais de 425 mil contas.

Antes da suspensão da conta, em 1º de novembro daquele ano, ela publicou um vídeo gravado durante uma festa na boate Madame Club, mais conhecida como Madame Satã, em São Paulo. “Quando eu for rico, haverá sinais”, escreveu na legenda.

Ana Ribeiro declarou que não imaginava que a publicação pudesse incomodar Vorcaro, personagem central de uma investigação que ganhou destaque no cenário financeiro e político brasileiro..

Segundo reportagem da revista Piauí, a festa teria sido organizada por Daniel Vorcaro e contava com uma orientação explícita para que os convidados não levassem celulares. A medida tinha como objetivo manter o evento em sigilo e evitar registros do encontro. De acordo com a publicação, a festa reuniu cerca de 140 pessoas, sendo 20 homens e 120 mulheres.

A influenciadora digital não participou da festa mostrada no vídeo. Segundo o relato, ela teve acesso às imagens por meio de um técnico de som que teria trabalhado no evento e posteriormente publicado registros da noite. A festa contou com apresentações dos DJs Solomun, Swedish House Mafia e Vintage Culture e teve a presença de Fábio Faria, ex-ministro do governo do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL).

“Na época ninguém entendia do que se tratava. Todas as páginas de música eletrônica postaram por conta da popularidade dos artistas contratados e por ser um evento privado”, destacou.

Na ocasião, o empresário teria pedido a Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que removesse apenas a publicação, e não a conta da digital influencer. Segundo os documentos, ele considerava o perfil pequeno, com cerca de 13 mil seguidores. Em uma mensagem enviada pelo WhatsApp, ele teria escrito: “Derrubar esse”.

Com a retirada do sigilo de documentos das investigações sobre o Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), Ana Ribeiro descobriu o que pode ter levado à suspensão de seu perfil no Instagram. Segundo os registros revelados no processo, a solicitação teria partido do próprio Daniel Vorcaro.

Os detalhes sobre a suspensão da conta da influencer aparecem em uma ação judicial movida em 2023 contra o Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., empresa do grupo Meta que foi incluída como ré no processo.

Após a conta ser suspensa, a rede social rientou Ana a apresentar um recurso e comprovar que o perfil não era operado por um robô. Ela cumpriu as etapas solicitadas pela plataforma, mas recebeu posteriormente a confirmação de que a conta havia sido suspensa de forma definitiva.

Diante da suspensão, ela recorreu à Justiça em 13 de novembro de 2023. A ação foi movida contra o Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. O pedido de liminar para reativar a conta imediatamente foi negado em um primeiro momento. O juiz determinou que a empresa fosse ouvida antes de uma decisão, para que também fossem esclarecidas as razões que levaram ao bloqueio da página.

Em sua defesa, o Facebook Brasil afirmou que o perfil havia sido temporariamente indisponibilizado para a análise de uma possível violação às políticas do Instagram. Nos autos, a empresa justificou a suspensão com base em questões relacionadas à “integridade e identidade autêntica” da conta. No entanto, o Instagram não apontou qual conduta específica de Ana Ribeiro teria infringido as regras da plataforma.

A conta acabou restabelecida em 28 de novembro. A Justiça determinou que a empresa mantivesse a conta ativa e também a condenou ao pagamento de R$ 3 mil por danos morais, além das despesas processuais e dos honorários advocatícios. Atualmente, o perfil de Ana conta com cerca de 36 mil seguidores. Atualmente, após entender o “real motivo” por trás do banimento, ela declarou ao portal UOL que está considerando abrir uma nova ação judicial.

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