Dolly Parton morreu nesta terça-feira (25), aos 80 anos. A confirmação foi feita pela família em um vídeo publicado nas redes sociais da artista. Bryan Seaver, sobrinho de Dolly e responsável por sua segurança durante mais de duas décadas, contou que a própria cantora havia pedido anos atrás que ele fizesse o anúncio quando chegasse o momento. “Esse anúncio em vídeo é algo que Dolly me pediu há anos, antes que eu tivesse absorvido totalmente como uma realidade no futuro”, disse.
Na mensagem, Seaver destacou a maneira como a cantora encarava a vida e o impacto que teve sobre outras gerações. “A tristeza fica conosco, não com a Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, com certeza, ao lado de Carl [Thomas Dean, seu marido, que morreu em 2025], seus pais e incontáveis outros que a assistiram e que queriam encontrá-la nos céus.” Ele também ressaltou a influência da artista sobre músicos, compositores e pessoas que buscavam construir uma carreira no entretenimento. “Dolly também abriu as portas para gerações de cantores, compositores, músicos e sonhadores de todos os campos da vida e de todos os continentes. Com seu exemplo, nós acreditamos que tudo era possível. Ela nunca viu uma porta que não pudesse abrir, e as portas que ela abriu fizeram e mudaram a história.”
Dolly vinha enfrentando problemas de saúde desde a morte de Carl Dean, seu marido por quase seis décadas, em março de 2025. Poucos dias antes de morrer, ela falou sobre o assunto em entrevista à revista “People” e explicou que havia deixado os próprios cuidados em segundo plano enquanto acompanhava o marido. “não prestou atenção [aos próprios problemas]”, afirmou. Mesmo diante das dificuldades, a cantora demonstrava intenção de continuar trabalhando. “Mas ainda estou trabalhando e há muitas coisas que eu ainda quero conquistar”, acrescentou.
Reconhecida pela voz característica, pelos cabelos loiros e pelo visual extravagante, Dolly transformou uma infância marcada pela pobreza no Tennessee em uma das carreiras mais bem-sucedidas da indústria do entretenimento.
A artista deixou um catálogo com milhares de composições e transitou por diferentes estilos musicais, passando pelo country, pop, bluegrass e disco. Entre suas canções mais conhecidas estão “Jolene”, “9 to 5” e “Coat of Many Colors”.
Dolly também foi responsável por escrever “I Will Always Love You”, música lançada originalmente por ela e que ganhou projeção mundial depois de ser gravada por Whitney Houston para o filme “O Guarda-Costas”.
Nascida em 1946, no condado de Sevier, Tennessee, Dolly cresceu em uma família de 12 filhos. A infância foi vivida em condições simples, em uma pequena casa próxima ao rio Little Pigeon. Os pais não tinham recursos para oferecer água encanada ou eletricidade à família.
Foi dentro de casa, influenciada pelos hinos religiosos e pelas músicas tradicionais ensinadas pela mãe, que Dolly desenvolveu o interesse pela música. Ainda criança, aprendeu a tocar instrumentos como violão e banjo e começou a se apresentar em programas de rádio. Em 1959, lançou seu primeiro compacto.
A carreira ganhou novo impulso em 1967, quando ela passou a integrar o programa de televisão apresentado pelo cantor Porter Wagoner. A parceria resultou em vários sucessos gravados em conjunto, mas a carreira solo de Dolly ganhou força rapidamente.
Em 1974, a cantora deixou o programa para se dedicar aos próprios projetos. Como forma de marcar a despedida, escreveu “I Will Always Love You”. A música chegou ao primeiro lugar da parada country em duas ocasiões e, anos depois, tornou-se um fenômeno internacional na interpretação de Whitney Houston.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Dolly escreveu cerca de 3 mil músicas. Suas composições frequentemente abordavam experiências pessoais e questões sociais. “Coat of Many Colors” tratava da pobreza vivida durante a infância, enquanto “Down From Dover” abordava a gravidez na adolescência. Já “9 to 5” retratava as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no ambiente profissional.
“9 to 5” também deu nome ao filme de 1980 estrelado por Dolly ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. A produção marcou uma das principais incursões da cantora no cinema.
Entre os destaques de sua discografia estão “Islands in the Stream”, parceria com Kenny Rogers lançada em 1983, e o álbum “Trio”, gravado com Emmylou Harris e Linda Ronstadt.
Fora dos palcos, Dolly construiu negócios no Tennessee e criou o parque temático Dollywood. Também investiu em produções para o cinema e a televisão, ampliando sua presença no entretenimento.
Ao longo da carreira, recebeu dezenas de indicações ao Grammy e conquistou 11 estatuetas. A cantora também entrou para os Halls da Fama da Música Country e do Rock & Roll, consolidando sua posição entre os nomes mais importantes da música norte-americana.
Dolly nunca escondeu a disposição para mudar de direção e experimentar novas possibilidades artísticas. Em entrevista à Associated Press, em 1979, ela resumiu essa postura: “Eu não tinha medo de mudar. Eu esperava o sucesso, mas estava preparada para o fracasso. Não me importava se as pessoas achassem que eu estava errada. No fundo, eu sabia que estava fazendo a coisa certa”, disse à Associated Press em 1979.
O trabalho filantrópico também ocupou um espaço importante na trajetória da artista. Em 1995, Dolly criou a Imagination Library, iniciativa dedicada à distribuição de livros para crianças. O projeto alcançou milhões de famílias e se tornou uma das principais marcas de seu trabalho social.
A cantora também se destacou por defender a inclusão e por manter uma postura pública de acolhimento. Ao longo dos últimos anos, sua influência alcançou públicos mais jovens por meio de colaborações e relações com nomes como Miley Cyrus, de quem era madrinha, Sabrina Carpenter e Beyoncé.
O legado de Dolly Parton se estende, portanto, da música ao cinema, dos negócios à filantropia. Sua trajetória, iniciada em uma pequena comunidade do Tennessee, transformou a artista em uma das figuras mais reconhecidas e influentes da cultura popular dos Estados Unidos.
