Caso Lito: entenda o que é a doença de Creutzfeldt-Jakob

Patricia Calderon
3 min de leitura
Lito Sousa alerta para vaquinha falsa após revelar doença rara e sem tratamento (Reprodução)

A esposa do influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Música, revelou que ele recebeu o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob. Em um vídeo divulgado nesta sexta-feira (21), Mila explicou que os médicos levaram um período para identificar a causa dos sintomas. Segundo ela, nas últimas semanas, Lito apresentou perda de parte dos movimentos e, após novos exames e avaliações, a família foi informada sobre a doença.

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) faz parte do grupo das doenças priônicas e provoca uma degeneração progressiva do sistema nervoso. É uma condição rara, grave e atualmente não possui tratamento capaz de interromper ou reverter sua evolução. Entre os primeiros sintomas podem aparecer alterações de memória, demência e tremores, seguidos pelo surgimento de outros comprometimentos neurológicos.

Doença provoca degeneração progressiva dos neurônios

A DCJ está relacionada à alteração anormal de uma proteína conhecida como príon. Esse processo leva à destruição de neurônios e provoca mudanças no tecido cerebral, que passa a apresentar pequenas cavidades. É dessa aparência que vem o termo “espongiforme”, associado às encefalopatias provocadas por príons.

A enfermidade é classificada em quatro formas: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova variante, também chamada de vDCJ. A forma esporádica é a mais comum e geralmente aparece em pessoas entre 60 e 80 anos.

Dados do Ministério da Saúde mostram que 547 casos de DCJ foram confirmados no Brasil entre 2005 e 2021. O intervalo corresponde aos primeiros 17 anos após a inclusão da doença na relação de enfermidades de notificação compulsória.

A maior parte das notificações ocorreu entre pessoas de 55 a 74 anos, grupo que representou 60,2% dos registros. Entre os casos suspeitos analisados pelo Ministério da Saúde, a idade média foi de 66 anos.

A evolução da doença costuma ser rápida. De acordo com dados da literatura reunidos pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano depois do início dos sintomas. A sobrevida média registrada é de cerca de cinco meses.

No período analisado pelo levantamento, foram registrados 290 óbitos relacionados à doença. O próprio boletim, porém, aponta limitações na qualidade do preenchimento e no acompanhamento das informações, o que deve ser considerado na interpretação dos números.

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