Polícia prende “falso médico” que atendia criança com tumor cerebral no Rio

Patricia Calderon
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Polícia prende "falso médico" que atendia criança com tumor cerebral no Rio (Foto Reprodução Redes Sociais)

Um homem foi preso em flagrante na tarde de quinta-feira (6), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, acusado de se apresentar falsamente como médico durante o atendimento de uma criança de 10 anos diagnosticada com meduloblastoma grau IV, um tumor cerebral maligno de crescimento acelerado. De acordo com a investigação, Diogo dos Santos Serpa dizia ser o responsável pelo atendimento domiciliar da criança.

Segundo as autoridades, o suspeito frequentava a residência desde outubro de 2025 e teria realizado pelo menos seis atendimentos. Durante esse período, ele teria prescrito remédios, pedido exames e feito encaminhamentos utilizando o nome e o registro profissional de outro médico.

A irregularidade veio à tona depois que a mãe da criança encontrou inconsistências nas prescrições e decidiu consultar o cadastro do Conselho Regional de Medicina (CRM). Conforme o relato apresentado à polícia, a fotografia associada ao registro utilizado pelo homem não correspondia à pessoa que fazia os atendimentos na residência.

Diante da suspeita, a família procurou a 63ª Delegacia de Polícia (Japeri). Policiais foram até o endereço indicado e acompanharam o atendimento realizado pelo suspeito. A prisão ocorreu quando a consulta terminou.

Segundo o auto de prisão em flagrante, os agentes chamaram o homem pelo nome do médico cuja identidade estaria sendo utilizada. Ele respondeu ao chamado e, de acordo com a polícia, admitiu que estava se passando pelo profissional.

Durante a abordagem, os policiais apreenderam um carimbo e blocos de receituário de controle especial que estavam em nome do médico cuja identidade teria sido utilizada. Também foram localizados documentos com carimbo de outro profissional, além de outros blocos de receituário timbrados.

Para a autoridade policial, a quantidade e a variedade dos materiais encontrados podem indicar que a prática não ocorreu de maneira isolada. A investigação busca verificar se outras pessoas foram atendidas pelo suspeito nas mesmas circunstâncias.

Diogo dos Santos Serpa foi indiciado por exercício ilegal da medicina com finalidade de obter lucro, com base no artigo 282 do Código Penal e na Lei 12.842/2013. Também foram atribuídos a ele os crimes de uso de documento particular falso, previsto no artigo 304 combinado com o artigo 298, falsa identidade, conforme o artigo 307, tentativa de estelionato, pelo artigo 171 combinado com o artigo 14, II, e perigo para a vida ou saúde de outra pessoa, previsto no artigo 132. Os crimes foram considerados em concurso material, conforme o artigo 69.

A autoridade policial solicitou que a prisão em flagrante seja transformada em prisão preventiva. Entre os argumentos apresentados está a possibilidade de que o suspeito volte a cometer crimes. A definição sobre a manutenção da prisão será feita pela Justiça durante a audiência de custódia.

A polícia informou ainda que o homem é investigado em outros quatro procedimentos, relacionados a falsidade ideológica, dois casos de furto em farmácia e peculato. Até o momento, nenhuma dessas apurações resultou em condenação.

As autoridades continuam investigando a possível existência de outras vítimas. Também será apurado se Diogo chegou a frequentar algum curso de medicina ou se possui qualquer formação na área da saúde.

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