Residente envolvido no caso de Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos, que morreu após sofrer uma perfuração no intestino durante uma colonoscopia no Hospital Municipal Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, já teria sido alvo de reclamações por suposto mau atendimento a outros pacientes.
Em um áudio exclusivo divulgado em primeira mão pela MathiasTV, em reportagem de Patrícia Calderón, a médica Maria Luiza Scalabrin é acusada de ofender a paciente Mari Elza. Na gravação, ela usa o termo “bosta” ao se referir à mulher, antes do procedimento.
“Outra coisa, amanhã tem aquela bosta daquela Mary Elza pra operar […]. Ver se já precisa transferir de novo, checa as reservas, deixa ela em jejum… direitinho”, destacou.
Após as declarações atribuídas à doutora, a paciente respondeu por meio de uma gravação, no qual afirmou estar viva “graças a Deus” e criticou a postura da profissional de saúde, alegando falta de empatia no atendimento.
“A bosta da Mari Elza está viva, graças a Deus, porque Deus é bom na minha vida. Passei por um processo pelo qual não gostaria de ter passado. E, já que eu sou uma bosta, estou mandando dizer que estou bem, porque você é grossa e não tem empatia com paciente”, disparou.
Em outro trecho do áudio, a paciente afirmou que Maria Luiza teria entrado no quarto durante a madrugada e dito que ela estava “condenada da cabeça aos pés”, apesar de, segundo ela, ainda não haver exames ou biópsia que confirmassem a situação.
“Você entrou no quarto às 4h da manhã falando que eu estava condenada da cabeça aos pés, sendo que você não tinha exame, não tinha biópsia, não tinha nada, só o seu olho clínico e a sua antipatia por mim”, desabafou.
Na sequência, ela também disse acreditar que a profissional teria agido de forma negativa após ela ter contestado o atendimento e feito uma reclamação à chefia da unidade hospitalar: “Foi por isso, porque eu contestei com você. Ainda reclamei de você com teu chefe, né? Então você deve ter ficado put* da vida comigo. Mas a bosta da Mari Elza tem um Deus na vida. É bom, tá? Então eu escapei das suas mãos, que eu poderia ter sido uma vítima sua. Eu creio que você está na profissão errada, tá? Você não deveria ser médica. Você não tem empatia, você não tem respeito pelo ser humano, você não tem nada”.
Em nota oficial enviada à publicação, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) informou que instaurou uma sindicância interna para investigar as circunstâncias da intercorrência registrada no Hospital Municipal Doutor Alípio Corrêa Netto.
“A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) abriu, de maneira imediata, uma sindicância interna junto à Clínica de Endoscopia Salina Ltda., responsável pela realização do exame da paciente M. S. C., para apurar todos os detalhes ocorridos durante a intercorrência no Hospital Municipal Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo.
A empresa citada presta serviços há 25 anos na unidade. A SMS lamenta profundamente a perda da paciente e a apuração será rigorosa em relação à conduta médica adotada. A direção do hospital segue à disposição da família. Para mais detalhes sobre o prontuário, a familiar deve entrar em contato com a direção técnica da unidade hospitalar”, diz o texto.
O portal entrou em contato com a médica Maria Luiza Scalabrin, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
