TV aberta precisa voltar a valorizar público católico, esquecido nos últimos anos

Bruno Dames
4 min de leitura

Nos últimos anos, virou raridade ver nomes do meio católico nos programas de auditório, o que há anos atrás era um recurso extremamente utilizado. Por exemplo, Padre Marcelo Rossi, outrora figura praticamente fixa nos domingos ao lado de Gugu Liberato, agora raramente aparece. Até mesmo nas novelas. O que já foi “regra”, agora é exceção. Nos últimos anos, apenas “Amor Perfeito” abordou o catolicismo com firmeza.

Entende-se que o crescimento do protestantismo no Brasil levou a TV a apostar em nomes do meio gospel. Até mesmo a Globo fez sua primeira protagonista evangélica em “Vai Na Fé”, que abordou lindamente a religião. Há pelo menos 20 anos, Raul Gil iniciou essa corrente e muito bem feita. O gospel merecia espaço na TV aberta por haver um público crescente e por ser o recurso mais potente de ser usado para aproximar a televisão do telespectador. Nada liga e comove tanto como a fé. Pode até nichar públicos, mas os telespectadores alcançados se ligam fortemente ao programa, ao apresentador e ao canal.

Hoje, Eliana faz isso e muito bem feito. Mesmo na Globo, com o “Em Família Com Eliana”, ela segue levando nomes do gospel. Destaque também para o “Domingo Legal”, que passou a apostar mais neste público e fazer programas como o deste domingo (26), em que recebeu Julliany Souza e entregaram uma bela edição. Segue sendo algo importante e, se bem feito, trazendo ótimos resultados num geral.

O único detalhe deste movimento foi a forma como ele acabou escanteando o catolicismo. Sim, a evangélica já passou a ser a religião mais forte (católica mais seguida, mas não com tanta fidelidade como a evangélica), mas não é inteligente praticamente ignorar esse recurso, que aproxima tanto uma parcela tão grande da população à TV. Neste domingo (26), Patricia Abravanel e o “Programa Silvio Santos” deram aula ao levar Padre Fábio de Melo e Padre Chrystian ao “Três Pistas”. Edição dedicada ao catolicismo e que em nada afastou o público protestante. O telespectador católico existe e está carente de programas como este entregue pelo SBT. Boas mensagens, boa energia, bom repertório, boas interações e finalizado por uma boa ação dos padres. Um exemplo a ser seguido.

Ainda há muita força católica e Frei Gilson reunindo milhões nas madrugadas comprova isso, mas fato é que os católicos hoje são “enciumados” por esse crescimento evangélico. A TV precisa olhá-los com mais carinho. Há carência. Luciano Huck, até poucos anos atrás, tinha Padre Fábio em seu casting, mas não o utilizava para aproximar do público católico. Pelo contrário, acabou afastando, para parte dos telespectadores, um padre da bolha religiosa. A realidade é que a TV atual ainda pede o carinho que Hebe Camargo e Gugu Liberato tinham com Padre Marcelo Rossi. Tem que ter espaço para a linda “A Casa É Sua”, mas “Erguei as Mãos” também merece ganhar vaga novamente.

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