O governo do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou o visto de dois altos funcionários do Departamento de Estado norte-americano que pretendiam fazer uma missão ao Brasil com o objetivo de questionar o sistema eleitoral brasileiro a poucos meses da corrida presidencial.
De acordo com as informações do portal Metrópoles, o pedido de entrada foi protocolado no Consulado em Washington D.C. no último dia 20. A delegação seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Conhecido por promover pautas conservadoras em viagens internacionais e manter relações com grupos de direita, Samson já protagonizou atritos com diplomatas e políticos tradicionais em outras ocasiões.
Segundo a reportagem do jornal americano The Washington Post, a comitiva dos observadores da gestão do presidente Donald Trump teria como objetivo se reunir com autoridades brasileiras e levantar questionamentos sobre a segurança e a integridade do sistema de votação às vésperas das eleições.
O movimento ocorre poucos dias após o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentar informações contestadas em um encontro com embaixadores e questionar a integridade das urnas eletrônicas.
O cenário também remete às eleições de 2022, quando o então presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PL), levantou suspeitas sem comprovação sobre a segurança do sistema de votação.
Na ocasião, ele chegou a realizar uma reunião com embaixadores para afirmar, sem apresentar provas, que as urnas eletrônicas poderiam ser fraudadas. O episódio posteriormente resultou em uma condenação por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, levando-o a ficar inelegível.
Na avaliação do governo Lula, a missão da delegação norte-americana teria o objetivo de influenciar o processo eleitoral. Por isso, o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Itamaraty, optou por negar o visto e impedir a entrada dos oficiais ao país.
