Empresário que pagou Flávio foi investigado por esquema de notas frias

Patricia Calderon
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Flávio Bolsonaro critica decisão de Alexandre de Moraes sobre o pai - Foto: Reprodução/Instagram

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou no radar após emitir três notas fiscais de R$ 500 mil, em um intervalo de apenas três dias, para empresas relacionadas a um empresário investigado por operações ligadas ao caso Master. Duas dessas notas, destinadas à Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., foram canceladas posteriormente, enquanto uma terceira, emitida para a Contábil Correa, permaneceu válida.

De acordo com dados da Receita Federal obtidos pelo Metrópoles, as duas primeiras notas foram emitidas em 7 de abril de 2025 em nome da Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., ambas referentes à prestação de “assessoria jurídica”. Dois dias depois, em 9 de abril, o escritório emitiu outra nota, também de R$ 500 mil, desta vez para a empresa Contábil Correa, sem registro de cancelamento.

As empresas Copenhagen Assessoria e Contábil Correa tiveram, em períodos distintos, o mesmo administrador, Rogério Lourenço Novo. Outro personagem citado nas investigações é Artur Figueiredo, que, na época da emissão das notas fiscais para a Copenhagen, era sócio majoritário da empresa e ocupava o cargo de diretor financeiro da Trustee DTVM.

Segundo a apuração, as notas emitidas para a Copenhagen indicavam um endereço de e-mail corporativo vinculado à Trustee DTVM. A instituição era responsável pela administração dos fundos da Master Asset Management, divisão de gestão de recursos do grupo Banco Master, conforme relatórios produzidos pela Polícia Federal.

Artur Figueiredo permaneceu na Trustee DTVM, mas deixou o quadro societário da Copenhagen em julho de 2025. Após sua saída, Rogério Lourenço Novo assumiu a administração da empresa.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou que o pagamento recebido decorreu exclusivamente da prestação de serviços advocatícios. “Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios, tudo certo, relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para esta empresa chamada Copenhagen, que supostamente é usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso”, afirmou.

Em nota, a Trustee DTVM declarou que, na condição de administradora do fundo Estônia Multiestratégia, investidor da Copenhagen Assessoria e Consultoria, “não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem da definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para quem quer que seja”.

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