O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a soberania nacional na véspera da entrada em vigor da tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A declaração foi feita por meio de uma publicação nas redes sociais, em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países.
“Hoje nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, disse o petista.
A cobrança da tarifa passa a valer nesta quarta-feira (22/7) e afeta diferentes segmentos da economia brasileira. De acordo com o governo federal, aproximadamente 18% das exportações do Brasil destinadas ao mercado norte-americano serão atingidas, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões.
Nesta terça-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), acompanhado de ministros, participa de reuniões com representantes dos setores mais impactados pela medida. O objetivo é discutir alternativas para minimizar os prejuízos e definir ações de apoio às empresas afetadas.
Mesmo com a adoção da nova tarifa, o governo dos Estados Unidos divulgou uma relação de produtos que ficarão isentos da cobrança por serem considerados estratégicos para o abastecimento interno do país. Entre os itens excluídos estão café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja, medida que busca evitar reflexos nos preços ao consumidor americano.
A decisão norte-americana tem como fundamento uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o USTR, o Brasil mantém práticas classificadas pelo órgão como “desleais, discriminatórias e irrazoáveis”, que, na avaliação do governo norte-americano, criam obstáculos ao comércio e causam prejuízos a empresas dos Estados Unidos.
