Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 mi um dia após ser alvo da PF

Patricia Calderon
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Jaques Wagner (Foto Reprodução Redes Sociais)

A tentativa do senador Jaques Wagner (PT-BA) de concluir a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões foi interrompida por um cartório da Bahia. A transação ocorreu em 19 de junho, um dia depois de o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre o extinto Banco Master.

Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Jaques Wagner foi submetido a mandados de busca e apreensão e também a uma medida que restringiu suas atividades econômicas. Em decorrência da decisão, instituições financeiras, órgãos públicos e cartórios receberam comunicação da Justiça para impedir a realização de operações patrimoniais envolvendo o senador durante o período da investigação.

Com a comunicação judicial, o 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari (BA) impediu a conclusão da venda do imóvel para a Lagoons Empreendimentos, empresa que tem o Grupo City entre seus sócios. Segundo pessoas com conhecimento das decisões do STF, esse tipo de providência costuma ser adotado quando investigados são alvo de medidas cautelares.

Os advogados do senador contestam qualquer irregularidade e sustentam que a negociação não teve relação com a operação da Polícia Federal. De acordo com a defesa, o processo de venda começou em 2024 e somente foi concluído em 2025.

“O acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025). A escritura pública foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta”, diz a defesa.

Na decisão que autorizou a operação realizada em junho, o ministro destacou que a Polícia Federal encontrou “elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”.

Conforme os elementos reunidos pela investigação, as supostas vantagens envolveriam o uso gratuito de aeronaves, mecanismos de estruturação de pagamentos, benefícios financeiros e aquisições patrimoniais.

Poucos dias após a operação da Polícia Federal, Jaques Wagner confirmou que deixaria a liderança do governo no Senado Federal.

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