O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, buscou amenizar o clima de tensão familiar e partidária ao declarar que está aguardando o “tempo” que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro “achar que é o suficiente” para se juntar à sua equipe. Adotando uma postura conciliadora, o parlamentar sinalizou que as portas continuam abertas para a madrasta: “Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”.
Para Flávio, a união de forças dentro do Partido Liberal e do próprio clã Bolsonaro é um passo fundamental para o sucesso do projeto eleitoral da oposição nas próximas eleições. Ele minimizou os ruídos recentes e reforçou que o foco principal do grupo político deve ser o enfrentamento aos adversários comuns no plano nacional, destacando: “Tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil que é o atual governo”.
Os acenos do senador ocorrem poucos dias após Michelle expor publicamente, por meio de vídeos nas redes sociais, um forte atrito entre os dois causado por discordâncias sobre o arranjo político envolvendo Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Em um desabafo detalhado, a ex-primeira-dama revelou o teor da discussão telefônica que teve com o enteado: “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi”.
Tentando conter o desgaste da imagem familiar, Flávio apressou-se em responder publicamente à acusação, ponderando: “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez peço desculpas”. O pedido de desculpas, no entanto, não evitou o recuo de Michelle, que cerca de cinco dias depois anunciou sua saída da presidência do PL Mulher após reunião com Valdemar Costa Neto, alegando a necessidade de se dedicar exclusivamente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar.
