Após 8 anos sem audição, adolescente se emociona ao ouvir voz da mãe pela 1ª vez

Douglas Lima
3 min de leitura
Kaua da Silva Titon ouve a voz da mãe pela primeira vez após oito anos sem audição - Foto: Reprodução/Instagram

Kaua da Silva Titon não conteve a emoção ao ouvir a voz da mãe pela primeira vez após oito anos sem escutar nada. O adolescente perdeu a audição aos 6 anos, após uma crise de epilepsia e, contra as expectativas, voltou a escutar em maio deste ano, após ser submetido a uma cirurgia de implante coclear pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Florianópolis.

O caso é descrito como uma “sequência de milagres” pela mãe do adolescente, Ana Cristina da Silva, de 43 anos, que enfrentou uma gestação de alto risco.

De acordo com informações do portal G1, o jovem nasceu prematuro, no sétimo mês de gestação, após um parto de urgência. Ana, portadora de lúpus, descobriu a gravidez apenas no quarto mês, depois de ter sido submetida a exames como raio-X e tomografias sem saber que estava esperando um filho.

Apesar de ter nascido sem aparentes complicações, o menino sofreu problemas respiratórios logo após o parto, o que acabou provocando o rompimento de vasos no cérebro e uma hemorragia grave. Ele passou 63 dias internado na UTI neonatal, período em que os médicos chegaram a alertar para a possibilidade de não sobrevivência ou de sequelas graves, como tetraplegia.

Contrariando as expectativas iniciais, Kauan da Silva sobreviveu, se desenvolveu e passou a andar normalmente. No entanto, aos 6 anos, a rotina da família mudou novamente quando ele sofreu uma crise de epilepsia durante o sono e, ao despertar, havia perdido completamente a audição.

O ponto de virada na busca por uma solução ocorreu no aniversário de 14 anos do adolescente , quando ele levantou um pedaço de bolo em direção ao céu e fez um pedido para recuperar a audição, emocionando a família.

A matriarca por sua vez, insistiu junto à equipe médica na realização do implante coclear, um dispositivo eletrônico de alta tecnologia que atua substituindo a função do ouvido interno em casos de perda auditiva severa ou profunda. Diferente dos aparelhos auditivos, que apenas amplificam o som, ele capta os sons do ambiente, os converte em sinais elétricos e os envia diretamente ao nervo auditivo.

Atualmente, o jovem realiza acompanhamento semanal de mapeamento do implante e sessões de fonoaudiologia no HU para ajustar os níveis de audição. Como o cérebro precisa se adaptar gradualmente às novas frequências sonoras, ele está, na prática, reaprendendo a interpretar os sons do ambiente.

“O que eu quero dizer com tudo isso é que é uma verdadeira superação. O impossível aconteceu, porque meu filho não tinha possibilidades clínicas de ouvir por causa da hemorragia cerebral”, comemorou a mãe.

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