O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira (29) que ainda mantém o sonho de reestatizar a Eletrobras, privatizada durante o governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).
No entanto, o presidente lamentou alguns obstáculos legais e financeiros para uma eventual recompra, como o prazo para uma tentativa de aquisição e o valor que teria de ser desembolsado pelo Executivo.
“Eu ainda sonho em trazer a Eletrobras como empresa pública. Mas a privatização da Eletrobras foi tão canalha que, na privatização, disseram que a gente só pode comprar não sei quanto tempo depois e que, se for o governo, é três vezes mais caro”, disse ele durante uma cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe.
“É como a BR [Distribuidora], que ainda usa o nome da Petrobras. Se a gente quiser comprar de volta, só será [possível] em 2029”, acrescentou ao classificar como sórdida a forma como as empresas foram vendidas.
Sem citar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula também disse que existem “gestores” que, na avaliação dele, desmontam empresas públicas para viabilizar um “entreguismo”, e citou a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), privatizada em 2024.
“Tem gente que acha que é só vender. É gente que não tem competência. Eles desmontam a coisa pública para entregar de graça, por não saberem administrar nem lidar com o trabalhador”, argumentou.
Em tom de brincadeira, o petista disse que a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, precisa conduzir corretamente a empresa, pois ele acaba sendo responsabilizado pelo desgaste causado por decisões consideradas erradas na estatal.
“Jamais vou interferir na atividade de uma empresa que tem ações na Bolsa de Nova York e tem uma mulher competente e uma diretoria competente. Mas ela tem que saber que, se der certo, é maravilhoso para a Petrobras, se der errado, é na bunda do presidente que as coisas arrebentam”, declarou.
