PCC e CV estão em 12 estados americanos, diz governo dos EUA

Douglas Lima
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A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, afirmou nesta sexta-feira (29) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) mantêm atividades em 12 estados norte-americanos.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Nacional, da Globo, no entanto, ela não revelou quais são os estados onde o FBI e outros órgãos do governo americano detectaram a atuação das facções criminosas.

“Essa medida é para poder utilizar todas as ferramentas disponíveis para proteger a segurança dos Estados Unidos. Sabemos que estes dois grupos estão atuando não somente dentro do Brasil, mas nos outros países também. Incluindo, vimos suas atividades em 12 estados aqui nos Estados Unidos”, destacou.

“Sabemos que as atividades desses grupos são muito amplas. Podem incluir lavagem de dinheiro ou transporte de itens de contrabando, tráfico de drogas, obviamente… Agora as sanções, as designações que estamos tomando agora, têm umas consequências importantes para estes grupos. Restrições de vistos também, bloqueio de todos os seus bens aqui nos Estados Unidos”, diz Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado”, afrirmou.

A classificação das facções como Terroristas Globais Especialmente Designados entrou em vigor imediatamente na última quinta-feira (28). A designação é aplicada a organizações, indivíduos, financiadores e empresas que, segundo o governo dos Estados Unidos, integram ou prestam apoio a grupos considerados terroristas. Na tarde desta sexta, o PCC e o CV já constavam na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA.

A decisão despertou preocupação entre especialistas, que veem riscos à soberania brasileira e à cooperação internacional entre as forças de segurança no combate ao crime organizado.

Segundo eles, investigações envolvendo essas organizações poderão migrar para instâncias ligadas à área de segurança nacional dos Estados Unidos, com maior participação de órgãos militares e de inteligência, como a CIA, e sob níveis mais elevados de sigilo.

Ao ser questionada sobre um possível interesse dos EUA em ampliar sua atuação militar na América Latina, Amanda destacou que o governo norte-americano está em constante processo de avaliação, mas ponderou que cada país apresenta desafios específicos e que as estratégias devem ser definidas de acordo com essas particularidades.

Na sequência, ela destacou que, desde o início do segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o país já designou 17 facções e cartéis das Américas como organizações terroristas e reforçou que o país epera manter a cooperação com o Brasil nos próximos passos da iniciativa.

“A coordenação muito próxima com o Brasil vai continuar. Já temos mais de 200 anos de cooperação em diversas áreas, incluindo a segurança. Essa coordenação seguirá sendo fortalecida”, enfatizou.

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