O governo Lula entrou em estado de alerta e convocou uma reunião de emergência nesta sexta-feira (29) após o anúncio dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida, que foi oficializada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve entrar plenamente em vigor no dia 5 de junho, acendendo o sinal amarelo no Palácio do Planalto.
A ministra Miriam Belchior assumiu a liderança do encontro com o objetivo de alinhar as discussões e definir a resposta diplomática oficial do Brasil diante da decisão de Washington. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda oficial em Sergipe e, por isso, desfalca a mesa de debates de última hora, que tem previsão de se estender até o final da tarde desta sexta-feira.
Nos bastidores de Brasília, o clima é de forte preocupação entre os integrantes do governo. O principal temor é que essa nova rotulagem abra brechas para sanções econômicas, severas pressões diplomáticas e até justificativas para ações militares e intervenções mais agressivas dos EUA na região sob o pretexto de combater o narcotráfico. Especialistas na área de relações internacionais também alertam para o risco iminente à soberania nacional e para o desgaste na cooperação de inteligência entre os dois países.
Por outro lado, a justificativa apresentada pela Casa Branca para endurecer o tom é a de que as duas facções deixaram de ser ameaças puramente domésticas. Segundo relatórios do governo americano, o PCC e o CV operam como redes criminosas globais que possuem milhares de integrantes altamente estruturados. Para Washington, a expansão transnacional e o fluxo de armas e drogas comandados por esses grupos representam, agora, uma ameaça direta à própria segurança interna dos Estados Unidos.
