O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a abertura de um processo sigiloso para investigar o suposto direcionamento de emendas parlamentares para projetos culturais, incluindo uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão decorre de uma denúncia apresentada no início do ano pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Ela aponta a existência de um conglomerado de empresas que, apesar de possuírem nomes jurídicos distintos, compartilham a mesma proprietária, infraestrutura e endereço, funcionando como uma única organização que engloba a produtora do filme.
Segundo a denúncia anexada ao caso, um grupo de deputados federais do PL — composto por Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis, Marcos Pollon e Mário Frias — teria destinado R$ 2,6 milhões em “emendas pix” para uma das empresas desse grupo. Posteriormente, os mesmos parlamentares teriam contratado serviços de marketing eleitoral de outras companhias vinculadas à mesma rede. Tabata Amaral alega que o esquema pode ter sido estruturado para desviar recursos públicos com o objetivo de financiar a propaganda política e a produção audiovisual sobre o ex-presidente.
A decisão de Dino de desmembrar a denúncia e abrir uma investigação separada ocorreu no mesmo dia em que o caso ganhou novos desdobramentos na mídia. Reportagens revelaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia solicitado cerca de R$ 130 milhões ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o financiamento do longa-metragem. Após inicialmente classificar a acusação como mentirosa, o senador recuou e admitiu ter buscado o aporte financeiro, defendendo que a iniciativa se tratava de uma captação de recursos estritamente privada para uma obra sobre a trajetória de seu pai.
