Durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira (29), o advogado-geral da União, Jorge Messias, protagonizou um momento de forte carga emocional ao detalhar sua trajetória religiosa. Comovido a ponto de chorar, o indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) definiu-se como um “servo de Deus” e relembrou que a “semente da fé” foi plantada ainda na infância, no seio de uma família evangélica. Messias destacou que caminha sob princípios religiosos há 40 anos, ressaltando que essa vivência foi o que, em suas palavras, “salvou a sua vida”.
Para o indicado, a identidade evangélica deve ser compreendida como uma bênção pessoal e não como um instrumento de negociação política ou um ativo para a vaga na Corte. Ele enfatizou que sua formação cristã é a base de sua trajetória pessoal, moldando seu caráter e suas decisões ao longo das décadas no serviço público. A declaração foi vista como um gesto de aproximação direta com a bancada conservadora e religiosa do Senado, que acompanhava atentamente a exposição de seus valores e crenças.
Apesar do depoimento confessional, Jorge Messias fez questão de reafirmar seu compromisso inegociável com a laicidade do Estado brasileiro. Ele pontuou que o Estado constitucional deve ser neutro, mas defendeu um diálogo “claro e colaborativo” com as diversas denominações religiosas em busca de uma sociedade mais fraterna e inclusiva. Ao equilibrar fé pessoal e dever constitucional, o advogado-geral buscou transmitir segurança aos parlamentares de que sua atuação no STF será pautada pela harmonia entre suas convicções e o respeito às leis de um país plural.
