Diretor da Câmara ganha R$ 23 mil por fazer horas extras aos finais de semana

Nayara Vieira
2 min de leitura
Diretor da Câmara ganha R$ 23 mil por fazer horas extras aos finais de semana

Levantamentos obtidos pela coluna de Andreza Matais, no portal Metrópoles, revelam que o diretor-geral da Câmara dos Deputados, Guilherme Barbosa Brandão, recebeu R$ 22.931,04 apenas em horas extras no mês de março. Para justificar tal montante, o cálculo indica que ele precisaria trabalhar o limite máximo nos dias úteis e ainda cumprir entre 18 e 25 horas diárias em cada fim de semana, uma carga horária humanamente improvável.

Brandão, que ocupa o cargo desde agosto de 2025 por indicação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), não é o único beneficiado. Outros membros da cúpula, como o advogado-adjunto Daniel Borges de Morais e o diretor administrativo Mauro Limeira Mena Barreto, também receberam valores exorbitantes, chegando a R$ 17,1 mil e R$ 21,8 mil, respectivamente, sob a mesma rubrica de remunerações eventuais.

A análise aponta inconsistências matemáticas severas nos pagamentos. No caso de Mena Barreto, mesmo considerando o limite de horas extras permitidas e adicionais noturnos em dias de sessão, ainda seria necessário trabalhar 35 horas durante os fins de semana para atingir o valor recebido. Segundo servidores ouvidos sob reserva, o trabalho efetivo desses diretores aos sábados e domingos é improvável, já que as funções dependem do auxílio de subordinados.

O cenário de altos rendimentos se estende a uma parcela considerável do funcionalismo da Casa. Cerca de 70 servidores da Câmara dos Deputados receberam mais de R$ 10 mil mensais utilizando o “penduricalho” das horas extras. Esse aumento nos rendimentos da alta gestão tem chamado a atenção pela desproporção entre os valores pagos e a jornada física necessária para alcançá-los.

Guilherme Brandão, que é servidor concursado há mais de 12 anos, assumiu o posto em substituição a Celso de Barros Correia Neto, antigo aliado de Arthur Lira. As informações reforçam o debate sobre a transparência e o controle de gastos com pessoal na administração pública, especialmente em cargos de confiança e postos estratégicos da estrutura parlamentar.

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