Vereadora trans diz ter sido agredida durante confusão ao entrar em banheiro feminino

Nayara Vieira
3 min de leitura
Vereadora trans diz ter sido agredida durante confusão ao entrar em banheiro feminino (Reprodução)

A vereadora de Niterói (RJ) Benny Briolly (PT) foi hospitalizada na noite de ontem após ser vítima de uma agressão física no Plaza Shopping Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O ataque ocorreu no momento em que a parlamentar e ativista transexual, que também é pré-candidata a deputada federal, tentava utilizar o banheiro feminino do estabelecimento. Horas antes do episódio, a vereadora já havia utilizado suas redes sociais para alertar sobre uma série de intimidações que vinha sofrendo devido à sua atuação política.

O incidente aconteceu logo após o encerramento da “Caravana Libera Meu Xixi”, uma manifestação pacífica liderada por Briolly em frente ao shopping que defendia o direito de pessoas trans utilizarem banheiros públicos de acordo com sua identidade de gênero. O protesto tinha como alvo principal projetos de lei que propõem a criação de um “terceiro banheiro” segregado para a população transexual. Em um vídeo publicado na internet, a parlamentar aparece sendo socorrida e levada de maca para uma ambulância.

“Fui atacada com violência física, jogada no chão, e precisei ser hospitalizada às pressas”, relatou a vereadora em suas redes sociais.

Em nota oficial enviada à imprensa, a equipe de Benny Briolly informou que ela foi estabilizada pelos médicos e passa bem. A assessoria de comunicação da parlamentar tratou o episódio como um caso grave de perseguição ideológica e de gênero, cobrando providências imediatas das autoridades de segurança pública do estado.

“Reiteramos que a violência política não deve ter lugar neste país, e que não será este ou qualquer outro ato covarde que irá interromper a trajetória da primeira travesti eleita do estado do Rio de Janeiro”, declarou a assessoria da parlamentar em nota oficial.

O clima de tensão já havia feito com que a vereadora pedisse que seus apoiadores não comparecessem ao protesto para garantir a segurança coletiva. Segundo Briolly, o gabinete vinha monitorando de perto mensagens de ódio que sugeriam, inclusive, o uso de violência armada contra os manifestantes durante o ato pacífico na cidade.

“Infelizmente, recebemos diversas ameaças de morte, ameaças de agressão e até relatos de pessoas dizendo que levariam armas de fogo ao local. Diante disso, tomei uma decisão difícil, mas necessária: peço que ninguém compareça ao ato hoje, por uma questão de segurança coletiva”, havia alertado a parlamentar horas antes do ataque.

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