A população do Rio de Janeiro pode ser chamada às urnas duas vezes em 2026 para escolher o governador do estado, em meio a uma crise político-jurídica que envolve a renúncia de Cláudio Castro (PL) e decisões divergentes da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira votação seria para um “mandato-tampão”, após a saída do governador, enquanto a segunda ocorreria normalmente em outubro, durante as eleições gerais. Esse cenário ganhou força a menos de seis meses do pleito oficial.
A situação se agravou após decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que suspendeu a realização de eleições indiretas — aquelas feitas pela Assembleia Legislativa (Alerj) — para escolha do substituto de Castro. Além disso, o ministro determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, permaneça no comando do governo estadual até que a Corte defina as regras do processo. O caso ainda será analisado pelo plenário do STF, que deve discutir se a eleição deve ser indireta, como apontou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou direta, seguindo entendimento anterior da própria Corte.
A crise teve origem após o TSE condenar Cláudio Castro à inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Um dia antes da decisão, o então governador renunciou ao cargo, alegando que pretendia se dedicar à pré-campanha ao Senado. A saída foi interpretada por adversários como uma tentativa de influenciar o modelo de sucessão. Com a inelegibilidade também atingindo nomes da linha sucessória, o estado ficou sem substitutos diretos, levando o comando ao Judiciário e abrindo caminho para o impasse que pode resultar na realização de duas eleições para governador no mesmo ano.
