O governo do Líbano estaria sendo alvo de pressão direta para negociar com Israel, segundo avaliação do professor de Relações Internacionais da USP e pesquisador de Harvard, Hussein Kalout. Em entrevista à CNN Brasil, o especialista afirmou que o país está sendo “coagido e chantageado” a participar de negociações diretas em Washington, sob influência dos Estados Unidos, especialmente do ex-presidente Donald Trump, que busca levar o governo libanês à mesa de diálogo com autoridades israelenses.
De acordo com Kalout, essa movimentação teria como objetivo oferecer uma saída política ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, diante do que ele classificou como fracasso nas promessas feitas durante o conflito regional. O professor destacou que Netanyahu havia sinalizado que a guerra com o Irã resultaria na derrota do regime iraniano e na estabilização da região, mas o cenário foi oposto: o confronto se prolongou por 40 dias, com a população israelense sob constantes ataques de mísseis e prejuízos econômicos significativos, estimados em centenas de bilhões de dólares.
Ainda segundo o especialista, o contexto atual evidencia uma tentativa de reconfiguração diplomática no Oriente Médio, com pressão externa para acelerar negociações entre países historicamente rivais. A iniciativa ocorre mesmo diante da ocupação israelense no sul do Líbano, o que torna o processo ainda mais sensível e complexo do ponto de vista político e estratégico.
