A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente nesta sexta-feira (18) ao pedido para que Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, deixe temporariamente a prisão para passar por consulta e realizar exames médicos. A defesa informou que ele apresentou sintomas compatíveis com uma possível crise de diverticulite. A decisão definitiva sobre a saída será tomada pelo ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao Caso Master.
O pedido médico ganhou repercussão depois de uma reportagem da revista Veja afirmar que Daniel Vorcaro estaria enviando recados ao STF e ameaçando divulgar informações sobre autoridades caso o pai não fosse liberado para tratar problemas de saúde. A publicação atribuiu as informações a um interlocutor ligado à defesa do banqueiro, e não a uma declaração pública feita diretamente por Vorcaro.
A manifestação da Procuradoria não significa que Henrique tenha recebido autorização para prisão domiciliar ou tenha sido colocado em liberdade. O parecer apenas considera possível uma saída temporária para atendimento médico, observadas as regras estabelecidas pela unidade prisional. Segundo a PGR, uma avaliação realizada no presídio não apontou situação de urgência, embora tenha havido indicação de antibióticos.
A defesa havia solicitado que Henrique pudesse consultar um médico particular que já acompanha seu tratamento e realizar exames complementares indicados após atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Horas antes da divulgação da manifestação da PGR, a revista Veja publicou que Daniel Vorcaro estaria disposto a fazer revelações sobre pessoas ligadas ao STF, à PGR e à Polícia Federal caso seu pai permanecesse preso.
Segundo a reportagem, um interlocutor da defesa afirmou que Vorcaro estaria convencido de que Henrique havia sido “abandonado para morrer na prisão”. A mesma fonte disse que o banqueiro teria fotos, comprovantes de pagamentos e outros documentos relacionados a autoridades. A reportagem atribuiu ao interlocutor a frase: “Daniel não tem nada a perder.”
Até o momento, não há evidência pública que estabeleça uma relação entre o parecer favorável da PGR para a realização dos exames e a ameaça atribuída a Daniel Vorcaro. A decisão sobre a saída temporária de Henrique ainda depende de André Mendonça.
