O deputado federal Mário Frias, produtor executivo da cinebiografia Dark Horse, negou qualquer investimento do banqueiro Daniel Vorcaro na produção após o vazamento de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro cobrava R$ 134 milhões para o projeto. Em nota, Frias esclareceu que o papel de Flávio limitou-se à cessão de direitos de imagem e à articulação com investidores, negando que o parlamentar possua sociedade na produtora ou que recursos do Banco Master tenham sido aplicados no filme.
Apesar da negativa de Frias sobre o recebimento de valores vindos de Vorcaro, o próprio Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado o banqueiro em busca de patrocínio para a obra sobre a vida de seu pai. O senador justificou o contato afirmando que as cobranças ocorreram devido a atrasos no pagamento de parcelas necessárias para a conclusão do filme. Informações de bastidores confirmam que a negociação, intermediada pelo publicitário Thiago Miranda, resultou em um aporte de R$ 62 milhões por parte do dono do Banco Master.
Em nota oficial, Flávio Bolsonaro classificou a situação como uma relação estritamente privada, ressaltando a ausência de dinheiro público ou incentivos da Lei Rouanet no projeto. O parlamentar afirmou ter conhecido o banqueiro apenas em 2024, após o término do mandato presidencial de Jair Bolsonaro, época em que não pesavam suspeitas públicas contra o empresário. Ele reforçou que não ofereceu vantagens indevidas nem intermediou negócios governamentais em troca do apoio financeiro.
O teor das mensagens reveladas pelo site The Intercept mostra que o senador mantinha uma relação de proximidade com Vorcaro, chegando a tratá-lo como “irmão” em comunicações enviadas na véspera da prisão do banqueiro em 2025. Nos áudios, Flávio demonstra preocupação com o “momento decisivo” da produção e com as parcelas em atraso, sinalizando o receio de que a falta de verba pudesse comprometer o resultado final da obra. O acordo previa que o Banco Master não figuraria formalmente como patrocinador da cinebiografia.
Mário Frias também denunciou o que chamou de “ataques reiterados” contra a viabilidade do filme, motivados por questões políticas e ideológicas. O produtor alega que existe uma tentativa permanente de descredibilizar Dark Horse perante investidores e o público. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro utiliza a polêmica para contra-atacar o atual governo, alegando que sua conduta difere do que chama de “relações espúrias” entre representantes da gestão Lula e o proprietário do Banco Master.
