O que aconteceu com Benício? Investigação revela erro médico e dose excessiva

Nayara Vieira
3 min de leitura
Caso Benício (Reprodução)

A investigação sobre a morte de Benício, de apenas 6 anos, ocorrida em um hospital particular de Manaus, concluiu que a criança foi vítima de um “erro médico grosseiro”. O menino, que deu entrada na unidade apenas com uma tosse seca, morreu em decorrência de uma overdose de adrenalina. O erro fatal aconteceu porque a medicação, que deveria ter sido administrada por inalação, foi prescrita e aplicada diretamente na veia, causando um quadro irreversível que levou ao óbito 14 horas depois. As informações foram divulgadas no “Fantástico” (TV Globo) no último domingo (03).

A conduta da médica Juliana Brasil foi classificada pela polícia como de total indiferença. A perícia no celular da profissional revelou que, enquanto acompanhava o atendimento de Benício, ela trocava mensagens sobre a venda de cosméticos e recebia pagamentos via Pix. Além disso, a investigação desmentiu a versão da defesa de que o sistema do hospital teria falhado na prescrição; na verdade, a médica teria tentado subornar uma pessoa para gravar um vídeo falso e sustentar essa mentira perante a Justiça.

A técnica de enfermagem Raiza Bentes, que tinha apenas sete meses de profissão, também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Segundo os depoimentos, outra profissional chegou a preparar um kit de nebulização e orientá-la a seguir o protocolo correto, mas Raiza ignorou o alerta e a prática da dupla checagem, optando por seguir a prescrição errada da médica e injetar a substância na veia do menino, mesmo após ser questionada pela mãe da criança.

Para além do erro humano direto, o inquérito apontou falhas graves na gestão do Hospital Santa Júlia. A unidade funcionava com número insuficiente de enfermeiros e não contava com farmacêutico para conferir as prescrições no momento do ocorrido. Devido a essas deficiências estruturais, dois diretores foram indiciados por homicídio culposo, com a polícia afirmando que a prioridade da instituição era a redução de custos para o aumento do lucro em detrimento da segurança dos pacientes.

Diante da gravidade dos fatos, a médica responderá por homicídio doloso, fraude processual e falsidade ideológica, já que também se apresentava como pediatra sem possuir a especialização. Enquanto as defesas alegam falhas no sistema e nos procedimentos de UTI, a família de Benício expressa um alívio amargo com o encerramento do inquérito. Agora, os pais esperam que o caso vá a júri popular para que a punição sirva de exemplo e evite que outras famílias sofram a mesma perda evitável.

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