O que acontece com Daniel Vorcaro após a PF recusar delação premiada?

Nayara Vieira
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(Foto: Divulgação / Arte: Portal Paulo Mathias)

A rejeição da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal (PF) não encerrou as tratativas do ex-banqueiro do extinto Banco Master para fechar um acordo de colaboração. As negociações agora se concentram exclusivamente na Procuradoria-Geral da República (PGR). A negativa da corporação policial já foi formalmente comunicada ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de que o material apresentado pela defesa não trazia novidades em relação às provas que os investigadores já possuem.

A recusa da PF não extingue a possibilidade do acordo porque a PGR, chefiada por Paulo Gonet, possui a titularidade da ação penal e a prerrogativa constitucional de oferecer denúncias. Dessa forma, o Ministério Público Federal tem autonomia para conduzir e dar sequência às tratativas de forma independente da polícia. Em reunião realizada com os advogados do empresário na tarde de quarta-feira (20), a PGR sinalizou o interesse de prosseguir com a análise da colaboração.

O avanço das conversas com os procuradores gira em torno de três pontos considerados essenciais. O primeiro deles é o valor a ser ressarcido por Vorcaro aos cofres públicos, estimado em cerca de R$ 50 bilhões. O segundo ponto diz respeito à extensão do cumprimento da pena: o ex-banqueiro pleiteia o direito de permanecer em regime domiciliar pelo menos até o julgamento definitivo. Por fim, o terceiro fator crucial é o alcance político das revelações contidas nos anexos apresentados pela defesa.

Integrantes da PGR seguem debruçados sobre o conteúdo entregue e ainda não bateram o martelo sobre a viabilidade do acordo. Contudo, fontes que acompanham os bastidores do caso apontam que este é o último recurso do empresário: caso a Procuradoria também decida rejeitar a proposta, a tendência é que as negociações sejam definitivamente encerradas, seguindo o mesmo desfecho adotado pela Polícia Federal.

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