Nikolas se manifesta contra Erika Hilton no comando de comissão e convoca parlamentares

Nayara Vieira
2 min de leitura
Nikolas Ferreira (PL) e Erika Hilton (PSol) (Fotos: Vinícius Schmidt/Metrópoles - / Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

O clima na Câmara dos Deputados atingiu um novo nível de tensão após a eleição da deputada Erika Hilton (PSol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. O desdobramento gerou uma ofensiva imediata liderada pelo deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL), que vem intensificando uma campanha pública para tentar reverter a escolha da colega.

Nesta quinta-feira (12), pelo segundo dia consecutivo, Nikolas utilizou suas redes sociais para criticar a presença de uma deputada trans no comando do colegiado. O parlamentar convocou outras deputadas a se mobilizarem contra a gestão de Hilton, sugerindo estratégias de obstrução e protestos internos até que ocorra uma mudança na presidência. Segundo ele, aceitar a atual configuração seria “o cúmulo”, defendendo que o posto deveria ser ocupado por uma mulher cisgênero para garantir o que chama de representatividade feminina tradicional.

Para dar peso à sua movimentação, o deputado do PL lançou e divulgou um abaixo-assinado on-line intitulado “Pela Representatividade Feminina na Presidência da Comissão da Mulher”. A iniciativa busca canalizar o descontentamento da ala conservadora e pressionar a cúpula da Câmara a rever a indicação feita pelo PSol.

Do outro lado, Erika Hilton tem reagido de forma incisiva às investidas. A parlamentar afirma ser vítima de LGBTfobia e reitera que sua eleição é legítima e democrática. Em seus pronunciamentos, tanto no plenário quanto nas redes sociais, Hilton argumenta que os protestos partem de grupos que ela classifica como “defensores do PL do Estupro” e entusiastas de pautas que retrocedem os direitos humanos. Ela garantiu que manterá seu cronograma de trabalho na comissão, focando na defesa das mulheres e no enfrentamento das críticas que considera discriminatórias.

O embate agora coloca em xeque a governabilidade da comissão, com um lado prometendo paralisar os trabalhos e o outro reafirmando a autoridade do cargo, transformando o colegiado em um dos principais palcos da polarização ideológica no Congresso.

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