Nesta quinta-feira (16/07), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, que passará a vigorar no dia 22 de julho. A medida, contudo, traz uma extensa lista de exceções. O anúncio rapidamente repercutiu no cenário político nacional: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou a rede social X (antigo Twitter) para ironizar o presidente Lula com o jargão “Make the L” (“Faz o L”), culpando a gestão atual pela nova restrição alfandegária imposta pelos norte-americanos.
A justificativa da administração de Donald Trump para a taxação é de que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral, citando pontos sensíveis como o ecossistema do Pix, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. Apesar do tom rigoroso, os EUA optaram por isentar matérias-primas essenciais para evitar impactos inflacionários internos e desabastecimento em setores onde não possuem produção doméstica suficiente. Com isso, itens de peso como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram de fora do imposto de 25%, enquanto o etanol, máquinas agrícolas e papel serão efetivamente sobretaxados.
Pelo lado brasileiro, o impacto econômico direto da medida acaba sendo atenuado. Como as principais commodities e produtos de alto valor agregado da nossa pauta exportadora tradicional foram poupados, os setores mais robustos do comércio exterior com os EUA permanecem protegidos, limitando o potencial de danos macroeconômicos imediatos decorrentes dessa nova política protecionista americana.

