Ney Matogrosso expõe bastidores da Lei Rouanet e diz que recusou esquema: “Dinheiro do governo”

Douglas Lima
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Ney Matogrosso - Foto: Divulgação

O cantor e compositor Ney Matogrosso afirmou, em entrevista a um podcast, que nunca precisou recorrer a recursos públicos para manter sua carreira artística. Durante a conversa, o músico relembrou ainda um episódio que considerou desconfortável envolvendo uma tentativa de acesso à Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet.

Segundo Ney, ele teria sido informado de que poderia captar cerca de R$ 200 mil por meio de um mecanismo de incentivo cultural, mas que seria necessário repassar aproximadamente 10% do valor, cerca de R$ 20 mil, a um político que atuaria como intermediário no processo.

“Eu não queria me envolver com isso, sabe, com esse tipo de coisa. Então não é o artista, porque tudo tem político envolvido, não é isso? Tudo tem uma coisa de político por trás”, declarou.

Na sequência, o artista afirmou que o suposto intermediário teria ligação com figuras influentes da época. “Esse era lá, era o secretário de Minas e Energias no Rio de Janeiro, que o pai era ministro. Mas eu não quero me envolver com isso, não me interessa. Eu zelo muito pela minha integridade, meu nome”, afirmou.

Por fim, Ney Matogrosso reiterou que nunca dependeu de recursos públicos para viabilizar sua carreira e afirmou que prefere manter sua independência artística:”Eu nunca precisei de dinheiro de governo nenhum para fazer o meu trabalho. Alguns momentos as gravadoras me ajudavam, e alguns momentos eu peguei meu dinheiro e fiz e tá tudo certo. Não acho nada errado. Agora, não me interessa usar dinheiro do povo”

Lei Rouanet foi criada para incentivar investimentos privados em projetos culturais por meio de benefícios fiscais, mas o relato volta a levantar discussões sobre possíveis distorções no uso do mecanismo.

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