Nattan abriu detalhes sobre o impacto do documentário “Tempo Para Amar”, estrelado por Rafa Kalimann, e falou sobre as transformações vividas pelo casal após o nascimento de Zuza, primeira filha dos dois. Em entrevista à Quem, o cantor afirmou que a produção apresenta uma visão sincera sobre a maternidade e também expõe as dificuldades enfrentadas durante o início da jornada como pai.
Ao comentar sua presença no projeto, Nattan explicou que, apesar de a história ter Rafaella como protagonista, ele participa diretamente dos acontecimentos retratados por fazer parte da família construída pelo casal.
“O documentário é sobre a Rafaella, mas eu, por ser pai, estou ali o tempo inteiro ao redor dessa história. Ela quis mostrar para as pessoas o que 90% das famílias passam: uma maternidade real. Existe um momento em que a mulher se olha no espelho e não se reconhece. Existe um momento em que ela vai amamentar e pensa: ‘Meu Deus, será que é assim? Meu peito está doendo muito. Será que é desse jeito mesmo?’. Principalmente sendo mãe de primeira viagem”, aponta.
O cantor também relembrou que precisou enfrentar um processo de adaptação depois do nascimento da filha. Segundo ele, a ausência de uma referência paterna durante sua criação fez com que os primeiros momentos da paternidade fossem ainda mais complexos.
“Houve momentos em que eu estava aprendendo, estava perdido. E muitos pais passam por isso. Às vezes, essas histórias não são contadas. Eu não tive referência paterna, não tinha alguém para ligar e perguntar: ‘Pai, é assim mesmo?’. Não tive isso”, diz o cantor.
A relação distante com o pai biológico fez parte da história pessoal de Nattan. Criado pela mãe e pelo avô, ele descobriu apenas em 2021 que o pai não sabia da sua existência. Para o artista, as dificuldades enfrentadas ao longo da vida ajudaram na construção de sua personalidade e na forma como encara os desafios familiares.
“Tudo bem passar por algumas pedras no caminho. Você se torna uma pessoa melhor e dá mais um passo para frente. É assim que acontece com várias famílias. Existem vários desafios pelos quais você precisa passar para evoluir para uma próxima etapa. Os casais passam por isso. E a Rafa tentou mostrar tudo de uma maneira muito real”, afirma.
Durante a entrevista, Nattan ainda comentou sobre a reação de algumas pessoas às cenas exibidas no documentário. O cantor explicou que o sentimento de solidão relatado por Rafaella não estava relacionado apenas à presença física dele, mas ao momento vivido pelos dois e às dificuldades de conciliar a rotina profissional com a chegada da bebê.
“Às vezes, as pessoas distorcem um pouco o que ela quis dizer. Houve um momento em que ela falou que se sentia muito sozinha. Às vezes, mesmo eu estando em casa, ela ainda se sentia só. Eu precisava sair para fazer shows e, quando voltava, ainda estava muito conectado àquela rotina. Chegava cansado, dormia, e ela já estava ali dentro de casa”, explica.
Segundo o cantor, a agenda de apresentações interferiu na convivência do casal durante os primeiros meses de vida de Zuza. Nattan contou que muitas vezes retornava dos shows em horários difíceis e precisava descansar antes de voltar aos compromissos profissionais.
“Imagina ela passar uma semana inteira em casa. Eu chegava [de shows] às oito da manhã, morto de cansaço, e precisava dormir. Depois acordava, passava um tempo com ela e, às vezes, tinha que viajar de novo. Ela estava falando desses momentos. E também de situações em que eu queria estar mais próximo, mas não conseguia entender o que ela estava tentando me dizer”, pontua.
Ao analisar o período vivido pela família, o artista reconheceu que poderia ter agido de outra maneira em algumas situações. Ele afirmou que participou do documentário também para compartilhar sua experiência como pai de primeira viagem e mostrar que o aprendizado envolve erros e mudanças.
“Eu também fui ao documentário para dizer: ‘Gente, eu passei por isso aqui. Sei que hoje não é mais assim’. Estou dando meu relato como pai de primeira viagem, como alguém que está construindo uma família, que é ser humano e que também vai errar. Eu poderia, nos momentos em que estava em casa, ter estado mais próximo da minha mulher. Poderia ter ido ao cinema com ela, ficado abraçado, tentado distraí-la ou chamar a atenção dela de outra forma”, garante.
Nattan afirmou que a experiência mudou sua maneira de enxergar a paternidade e que teria escolhas diferentes caso enfrentasse novamente os primeiros momentos com um filho.
“Hoje, se eu tivesse a oportunidade de ter outro filho, faria muita coisa diferente. Estou dando o meu relato como alguém que passou pela paternidade sem referências, que teve acertos e erros, e tentando ajudar outros pais a não cometerem os mesmos erros. Mas fui mal interpretado, como se eu não pudesse errar também”, lamenta.
Mesmo diante das críticas recebidas nas redes sociais, o cantor reforçou o apoio à companheira e destacou a importância da produção para mães que se identificaram com os relatos apresentados.
“Eu torço muito pela Rafaella e estou ao lado dela. O documentário está muito especial. Acho que a mensagem que ela quer passar está chegando às mães que estão assistindo. Nós abrimos um pouco da nossa intimidade para mostrar isso de forma muito real. Para que as pessoas assistam e pensem: ‘Eu também vivi isso’. Espero que quem assistir leve isso para o coração e como aprendizado”, se anima.
Colaboração por Louise Barbosa
