Mulher morta por PM em SP esperou 30 min por resgate; base dos Bombeiros ficava a 6 min

Nayara Vieira
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Mulher morta por PM em SP esperou 30 min por resgate; base dos Bombeiros ficava a 6 min (Reprodução)

A morte de Thawanna Salmázio, de 31 anos, ocorrida na madrugada de 3 de abril na Zona Leste de São Paulo, levanta sérios questionamentos sobre a eficiência do socorro médico em casos de emergência. De acordo com informações do portal g1, a vítima foi baleada pela soldado da PM Yasmin Cursino Ferreira durante uma abordagem na Rua Edimundo Audran, e esperou mais de 30 minutos pela chegada do resgate. Registros da câmera corporal de um dos agentes confirmam que o disparo aconteceu às 2h59 e o pedido de socorro foi feito via Copom apenas 40 segundos depois, mas a ambulância dos Bombeiros só estacionou no local às 3h29.

A demora no atendimento é evidenciada pela proximidade de unidades de resgate na região. O levantamento feito pelo g1 aponta que a base do Corpo de Bombeiros mais próxima, em Cidade Tiradentes, está a cerca de 6 minutos de distância do local do crime, enquanto uma segunda unidade, em Guaianases, fica a aproximadamente 13 minutos. Mesmo considerando que a ocorrência se deu por volta das 3h da manhã — período de fluxo irrelevante de veículos que facilitaria o deslocamento — o tempo de resposta superou a marca de meia hora, ignorando a facilidade logística do horário.

Este intervalo de atendimento infringe as metas estabelecidas pela própria Polícia Militar do Estado de São Paulo. Conforme o Guia de Indicadores 2020-2023 da corporação, o objetivo é que atendimentos de emergência, tanto da PM quanto dos Bombeiros, sejam realizados em um tempo máximo de 20 minutos. No caso de Thawanna, o atraso de pelo menos 10 minutos além do teto oficial demonstra uma falha crítica na prontidão do serviço, em um cenário onde cada segundo é determinante para a sobrevivência da vítima.

Diante da gravidade dos fatos e da divergência entre a meta institucional e a realidade do atendimento, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada pelo g1 sobre a dinâmica do resgate. As dúvidas pairam sobre qual unidade efetivamente enviou a ambulância e quais justificativas oficiais explicam a demora acentuada. Enquanto as investigações prosseguem, os dados reforçam uma estatística preocupante da própria corporação: em 2019, apenas 58% das ocorrências dos Bombeiros conseguiram cumprir a meta de tempo de resposta esperada.

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