O Ministério Público de São Paulo (MPSP) voltou atrás no entendimento que havia beneficiado o youtuber Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, e retomou a ação civil pública em que pede sua condenação por declarações feitas sobre o nazismo durante um podcast.
Em um debate realizado em 2022, ele afirmou que “o nazista deveria ter o direito de ter um partido reconhecido por lei” e que “se alguém quiser ser anti-judeu, deveria ter esse direito”, o que gerou ampla repercussão e críticas.
Em manifestação protocolada na última quarta-feira (15), a Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo classificou como “improcedente” o pedido feito pelo promotor Marcelo Otavio Camargo Ramos. A peça anterior, apresentada em 31 de março, foi contestada, e o órgão pediu que seja desconsiderada pelo juiz.
Com isso, a posição atual do MPSP no processo volta a ser pela procedência total da ação. A nova manifestação, assinada pelo promotor Ricardo Manuel Castro, voltou a defender a condenação do influencer e o pagamento de R$ 4 milhões em indenização por danos morais coletivos.
A mudança de posição ocorreu em meio a uma troca na condução do caso dentro da própria Promotoria de Direitos Humanos.
A defesa de Monark afirmou, em nota, que recebeu “com espanto” a nova manifestação. Segundo os advogados, a peça anterior reconhecia que “as acusações veiculadas contra o apresentador se baseavam em ‘leituras fragmentadas’ de suas falas, tiradas de contexto” e acrescenta que o cliente “estava, na realidade, expressando sua ideologia anarquista, que defende liberdade de expressão e de associação absolutas em face do Estado”.
Em razão da repercussão das declarações, o influenciador digital foi demitido do podcast Flow, onde atuava como um dos apresentadores. As falas ocorreram durante um episódio que contou com a participação dos deputados federais Kim Kataguiri (União-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP).
