A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou neste sábado (9) uma foto nas redes sociais em que aparece um detergente da marca Ypê. A postagem ocorreu no mesmo dia em que políticos da oposição iniciaram uma campanha online em defesa da empresa de produtos de limpeza.
O movimento ganhou ainda mais força após parlamentares e influenciadores digitais passarem a compartilhar fotos e mensagens de apoio à fabricante, mesmo depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciar a suspensão de lotes de produtos da marca por “desvio em procedimento de controle de qualidade”.
Publicações de apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) alegam, sem apresentar evidências, que o governo do presidenete Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria usando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para “perseguir” empresários alinhados ao ex-mandatário.
A alegação tem como base doações feitas por integrantes da família Beira, responsável pela Ypê, à campanha de Bolsonaro em 2022.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações, doou R$ 500 mil. No total, três integrantes da família contribuíram com R$ 1 milhão.
Na época, internautas contrários ao bolsonarismo chegaram a promover campanhas de boicote à marca nas redes sociais. Agora, o movimento se inverteu: apoiadores do ex-presidente passaram a incentivar a compra de produtos da empresa de produtos de limpeza nas redes.
A Ypê informou neste sábado (9), em nota à imprensa, que mantém suspensas as linhas de produção de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes do lote com final 1, mesmo após a liberação da fabricação e venda desses produtos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, anunciada na sexta-feira (8).
As linhas de produção de líquidos da fábrica estão paralisadas desde a última quinta-feira (7). A suspensão incluiu 24 itens da marca, por suspeita de contaminação. Essas linhas são responsáveis pela fabricação dos produtos que tiveram a venda suspensa pela Anvisa. A interrupção permanece, mesmo após a liberação da agência para fabricação e comercialização desses itens.
