O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, indicou a interlocutores que adotará um critério rigoroso para a possível homologação da delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça pretende confrontar o conteúdo da proposta com as evidências já colhidas pela Polícia Federal, condicionando a validação do acordo à apresentação de avanços reais e provas inéditas que ainda não constem no inquérito.
A expectativa é que tanto o material da delação quanto o relatório final das investigações da PF sejam entregues até meados de maio. No entanto, o otimismo do magistrado em relação ao potencial do depoimento é baixo. O ceticismo decorre da proximidade entre o advogado de Vorcaro e ministros do STF, o que levanta suspeitas de que o plano original do colaborador fosse focar em nomes da classe política e poupar membros do Judiciário.
Mesmo que o acordo avance e traga revelações envolvendo integrantes da Corte, uma ala do tribunal já se movimenta para reagir. A percepção interna é que qualquer investigação voltada contra os próprios ministros enfrentaria uma resistência majoritária no plenário. O cenário de uma eventual anulação não é descartado, servindo como um eco das tensões institucionais que permeiam casos de alta sensibilidade no Supremo.
Para sustentar essa postura defensiva, magistrados relembram o precedente da delação de Sérgio Cabral, anulada em 2021 justamente por atingir membros do tribunal sem evidências sólidas. Assim, o desfecho do caso Vorcaro paira sobre um terreno de incerteza jurídica e política, onde a neutralidade das provas será testada sob a ótica da imparcialidade e da preservação das instituições.
