Lula diz que foi alertado por Janja sobre taxa das blusinhas: “A coisa tá feia pro nosso lado”

Douglas Lima
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Após revogar a chamada “taxa das blusinhas” e retomar a isenção para compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 252), o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta-feira (22), que a medida foi impopular e disse ter sido alertado pela primeira-dama, Janja da Silva.

Durante a atração comandada por Cissa Guimarães, o presidente afirmou que o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, considerava a medida importante e buscava atender aos interesses do varejo nacional.

O petista relatou que, durante uma viagem à China, acompanhado da esposa e de Haddad, percebeu a impopularidade da medida logo após sua implementação. “Janja pegou o celular dela e falou: ‘Ô, Lula. O negócio das blusinhas tá ficando feio para o nosso lado’. Falei para o Haddad, e ele não acreditou na primeira vez. No final da viagem, o Haddad se deu conta de que tinha um problema”, contou.

Lula afirmou que consumidores de baixa renda também têm direito de comprar produtos baratos pela internet e afirmou que o fim da cobrança federal sobre compras internacionais de até US$ 50 não deve causar prejuízo ao país. Na sequência, ainda brincou dizendo que fica feliz quando chegam as encomendas feitas por Janja.
“Nós estávamos mexendo com uma parcela muito grande da sociedade que estava comprando coisas de pequeno valor”, admitiu.

A chamada “taxa das blusinhas” previa a cobrança de 20% sobre o valor de compras internacionais destinadas ao governo federal. A medida foi acompanhada do aumento da fiscalização e da ampliação do programa Remessa Conforme, o que também tornou mais frequente a incidência do ICMS, imposto estadual que varia entre 17% e 20%, sobre esse tipo de compra.

Por fim, ele avaliou que a cobrança do ICMS, embora seja um imposto estadual, acabou sendo percebida pela população como responsabilidade do governo federal.

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