Jovem esfaqueada mais de 15 vezes fala pela 1ª vez e convoca manifestação em dia de audiência

Nayara Vieira
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Jovem esfaqueada mais de 15 vezes fala pela 1ª vez e convoca manifestação em dia de audiência (Foto: Instagram)

A jovem Alana Anísio Rosa, de 20 anos, quebrou o silêncio neste domingo (5) ao falar pela primeira vez sobre a tentativa de feminicídio que sofreu em sua própria casa, em São Gonçalo (RJ). O crime ocorreu em fevereiro, quando Luiz Felipe Sampaio, preso em flagrante, invadiu a residência e desferiu 15 facadas na vítima. Segundo a mãe de Alana, a motivação do ataque teria sido a recusa da jovem em iniciar um relacionamento com o agressor.

Em um relato contundente, Alana destacou a necessidade de exposição para que crimes dessa natureza não caiam no esquecimento ou na impunidade. “Como a maioria das vítimas de violência, a gente precisa abrir mão da nossa privacidade e do nosso momento após sofrer algo tão brutal para cobrar justiça. Porque eu sei que, se não se fala, se não se posta, se não se compartilha, as coisas são facilmente esquecidas, principalmente com a justiça aqui do Brasil”, afirmou a jovem.

A primeira audiência do caso está marcada para o dia 15 de abril, no Fórum de Alcântara. Alana aproveitou o pronunciamento para convocar uma manifestação no local, reforçando a gravidade do que viveu: “Apesar de eu ter sobrevivido, como muitas outras vítimas não têm essa oportunidade, não têm essa chance, continua sendo muito brutal o que aconteceu. Isso relembra a todos que nós, mulheres, não estamos seguras na rua, no trabalho, na academia e nem na nossa própria casa — lugar onde a gente se sente mais segura, onde a gente deveria estar segura.”

Para a sobrevivente, a punição severa é a única forma de enviar um recado claro à sociedade e garantir a liberdade das mulheres. “As leis precisam ser mais duras, mais rígidas. A sociedade não pode tolerar que mulheres sejam caladas e que o nosso ‘não’ não seja aceito. […] É preciso, sim, que o agressor passe a maior quantidade de anos possível na cadeia, que as leis sejam cumpridas e que seja aplicada a pena mais dura possível, para que o recado seja dado de que isso não deve acontecer e não pode continuar acontecendo”, declarou.

Ao final de sua fala, Alana agradeceu o apoio e a rede de solidariedade que se formou em torno de sua recuperação, reiterando o convite para o ato no fórum. “Para que eu e tantas outras mulheres possamos nos sentir seguras de novo, de andar na rua, de caminhar, de sermos livres para exercer a nossa cidadania — coisa que nos é tirada a todo dia, a todo momento, com cada vez mais vítimas de uma violência tão brutal”, concluiu a jovem, que agora foca na busca por justiça.

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