João Victor Gonçalves desabafa sobre ataque homofóbico: “Eu me senti acuado”

Douglas Lima
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João Victor Gonçalves desabafa sobre ataque homofóbico - Foto: Reprodução/Instagram

O ator João Victor Gonçalves, que interpreta Mau Mau em Quem Ama Cuida, na novela da Globo, apareceu nas redes sociais neste sábado (5), visivelmente emocionado, para dar mais detalhes sobre o ataque homofóbico que sofreu na noite da última sexta-feira (4), ao chegar ao Rock in Rio.

“Vou tentar gravar esse vídeo até o final. Ontem (sexta-feira, 4/9), eu sofri um ataque a caminho do Rock In Rio. Na hora, me senti muito acuado, tava sentindo uma violência, mas estava pensando muito na minha segurança e queria acelerar o passo pra fugir daquela situação”, iniciou.

“Não sabia o que podia acontecer, qual era o próximo passo que aqueles garotos poderiam dar. Então, acelerei meu passo e tava com a cabeça focada em chegar ao Rock In Rio, fazer a entrega pra marca que eu precisava fazer. Já era tarde, eram 10 e pouco da noite porque trabalhei o dia inteiro”, recordou.

O artista contou que só conseguiu se dar conta da gravidade do que havia acontecido depois de chegar em casa, quando relembrou os momentos de tensão que viveu. “E só quando eu cheguei em casa que fui sentir o que tinha vivido e entender que tinha se tratado de uma agressão e de um ataque homofóbico. Eu tava dentro da grade do Rock In Rio, quando a gente desce do carro de aplicativo, onde achei que estaria seguro”, desabafou.

João Victor também fez um alerta à organização do festival de música do Rio de Janeiro e pediu atenção para a segurança nas áreas próximas ao evento. “Mas, aparentemente, a gente não está, em lugar nenhum. Então, isso também é um alerta ao Rock In Rio: por favor, vamos melhorar a segurança em volta”, pediu.

O global também relatou que um dos envolvidos publicou posteriormente um vídeo pedindo desculpas e alegando que o episódio teria sido uma forma de “entretenimento”, justificativa que ele criticou veementemente. “No fim da noite, o garoto que tava cabeceando a live, postou um vídeo de pedido de desculpas, dizendo que estava fazendo entretenimento. Eu sou um garoto que tenho 300 mil seguidores no Instagram, faço parte de uma novelas mais legais e um personagem que fala sobre isso”, lamentou.

“Eu tenho visibilidade e passei por isso. E fico pensando, e me fere, quantas pessoas que não têm essa visibilidade passam por isso e ninguém fala sobre. Esse garoto tem mais de 100 mil seguidores acompanhando esse tipo de entretenimento que viola, machuca, fere, abusa”, continuou.

“Então, queria primeiramente dizer que estou bem, que tenho uma rede de apoio muito boa, que me ajuda muito, mas que isso não vai ficar pra trás”, garantiu.

João relacionou o episódio ao personagem Mau Mau. Na trama das nove, o personagem enfrenta o preconceito e busca viver a própria identidade sem sofrer violência dentro ou fora de casa. “Faço uma novela que meu personagem fala sobre isso, poder ser quem ele é sem sofrer preconceito, seja dentro de casa e na rua. A gente quer simplesmente andar na rua e é o que eu estava fazendo”, frisou.

“O Mau Mau é um personagem forte, valente, que encara essa homofobia estrutural que vive dentro de casa, de uma forma muito corajosa”, completou, reforçando que, durante o ataque, acabou reagindo de maneira semelhante ao personagem, seguiu em frente diante do medo. “Eu engoli e segui”, comentou.

Por fim, ele também afirmou que pretende dar continuidade à discussão, agradeceu as mensagens de apoio que recebeu e reforçou que espera poder circular pela cidade sem ser alvo de violência. “Queria vir falar que isso não vai passar em branco. A gente não pode deixar. Queria mobilizar todo mundo para que a gente tente transformar esse país que a gente vive”, salientou.

“É muito dolorido saber que sofrer uma agressão como essa e me ver vulnerável para o Brasil inteiro. A gente não gosta de ficar vulnerável”, assumiu.

“Queria agradecer todas as mensagens, cuidado e carinho que estou recebendo. E dizer que a gente merece respeito e poder viver, só viver, poder andar e chegar dentro de um festival sem ser agredido”, finalizou.

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